Secretaria de Agricultura e Abastecimento

Coordenadoria de Defesa Agropecuária
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10/11/2008

Greening: Quebra galho não funciona. Para resolver tem que arrancar.

GREENING: O QUE É

O greening - ou huanglongbin (HLB), é considerado a pior doença dos citros no mundo. De difícil controle e de rápida disseminação é altamente destrutiva. Causa enormes prejuízos em todos os locais onde está presente. A doença, causada por uma bactéria (Candidatus Liberibacter spp) provoca desfolha, seca e morte dos ramos. Os frutos apresentam maturação irregular, redução do tamanho, deformação e queda intensa. Não existe variedade comercial de copa ou porta-enxerto imune ao greening.

COMO A BACTÉRIA AGE NA PLANTA

A partir do ramo contaminado, a bactéria se espalha por toda a planta, afetando a copa. Quando a planta apresenta sintomas nas extremidades dos galhos, a bactéria já pode estar alojada bem abaixo no tronco, impedindo a distribuição da seiva. Com isso, quando contaminadas, as plantas novas não chegam a produzir e as plantas adultas tornam-se improdutivas dentro de 2 a 5 anos.

TRANSMISSÃO E VETORES

No Brasil, as bactérias são transmitidas pelo psilídeo Diaphorina citri, um pequeno inseto de 2 a 3 milímetros de comprimento, de coloração cinza e com manchas escuras nas asas. Esse inseto se hospeda em todas as variedades cítricas e na murta, e pode ser encontrado em todas as regiões citrícolas do Estado, não tendo limitações climáticas. Permanece nas folhas e ramos numa inclinação de 45 graus, uma característica peculiar que ajuda no reconhecimento. Os adultos desses psilídeos se alimentam tanto em folhas maduras como em brotos novos. Entretanto, colocam seus ovos somente em brotos novos, local onde as ninfas se desenvolvem. Quando o inseto adquire a bactéria, nunca mais a perde. Outra forma de transmissão da doença é o uso de borbulhas de plantas contaminadas na formação de mudas que podem disseminar a doença a longas distancias.

SINTOMAS DO GREENING

O sintoma inicial do greening geralmente aparece em um ramo que, se destaca pela cor amarela em contraste com a coloração verde das folhas dos ramos não afetados. Com a evolução da doença, há intensa desfolha dos ramos afetados e os sintomas começam a aparecer em outros ramos da planta, tomando toda a copa, inclusive com o surgimento da seca e morte dos ponteiros.

FRUTOS - Ficam deformados, pequenos e assimétricos. Na inserção com o pedúnculo surgem filetes alaranjados. Ocorre maturação irregular. A parte branca da casca, em alguns casos, apresenta uma espessura maior em comparação a um fruto sadio. É comum a ocorrência de sementes abortadas, pequenas e de coloração escura. Na casca de frutos verdes, às vezes, aparecem pequenas manchas circulares verde-claras que contrastam com o verde normal do restante do fruto.

FOLHAS - Observa-se um mosqueado, pequenas manchas verde-claras ou amareladas, mescladas com o verde normal das folhas, sem a presença de um limite nítido que separe umas das outras. Em alguns casos observa-se o engrossamento e clareamento das nervuras da folha, que ficam com aspecto corticoso. Em plantas novas afetadas pelo greening, em alguns casos, não se observam folhas com mosqueado típico. Nessas, o sintoma se caracteriza pelo amarelecimento generalizado das folhas.

AÇÕES DE CONTROLE

INSPEÇÃO - Deve ser feita de maneira constante, planta a planta. O recomendado é que sejam realizadas, no mínimo, quatro vezes por ano.

ELIMINAR AS PLANTAS COM SINTOMAS - Assim que apresentar os primeiros sintomas da doença a planta deve ser imediatamente erradicada, para que não sirva de fonte de contaminação para outras plantas da mesma propriedade e dos vizinhos. A poda não funciona para o greening.

CONTROLE DO VETOR Diaphorina citri - O inseto vetor está presente no pomar o ano todo, mas nas condições do estado de São Paulo o aumento da população acontece no início de cada fluxo vegetativo, e atinge o pico no fim da primavera ou início do verão. O monitoramento pode ser realizado por meio de armadilhas adesivas amarelas e pela observação de brotos novos. As armadilhas devem ser posicionadas em pontos estratégicos da propriedade para monitorar a entrada e movimento do vetor. Os pragueiros devem vistoriar de 3 a 5 ramos novos por planta, observando a presença de ovos, ninfas e/ou adultos. O controle químico deve ser realizado quando for observada a presença do vetor em pelo menos 10% dos brotos. Inseticidas registrados e cadastrados, aplicados no solo, no tronco e na parte aérea podem ser utilizados.

MUDAS SADIAS - Adquirir mudas sadias com origem comprovada, produzidas em viveiros protegidos devidamente cadastrados na Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Em caso de suspeita, procure a Defesa Agropecuária do seu município.

SAIBA DIFERENCIAR O GREENING DE OUTRAS DOENÇAS E DEFICIÊNCIAS

Os sintomas do greening podem ser confundidos com deficiências de nutrientes como zinco, magnésio, manganês, cobre e até com doenças como CVC e gomose. É preciso saber diferenciar os sintomas para reconhecer a doença no campo.

GREENING - Folhas mosqueadas (manchas de formas irregulares, verde-claras ou amareladas, mescladas com o verde normal) são sintomas típicos da doença, ideal para o diagnóstico no campo e no laboratório.

ZINCO – A deficiência de zinco provoca o surgimento de manchas amarelas uniformes. As folhas ficam pequenas e estreitas, algumas vezes retorcidas entre as nervuras.

MAGNÉSIO – A deficiência de magnésio provoca um sintoma típico nas folhas que é o amarelecimento em “V” invertido. Afeta as folhas velhas das plantas.

MANGANÊS – Os sintomas de deficiência de manganês são mais freqüentes em partes sombreadas da planta, aparecendo cloroses entre as nervuras, porém mais pálidas e menos acentuadas que as de zinco.

COBRE - As folhas dos ponteiros ficam amareladas. Os ramos mais novos apresentam ondulações e rachaduras que caracterizam a deficiência de cobre.

CVC - A doença provoca surgimento de pequenas manchas amareladas e irregulares, espalhadas na parte superior da folha e que correspondem a lesões de cor palha na parte inferior da folha. O fluxo normal de seiva é interrompido pela presença da bactéria no xilema da planta, provocando os sintomas da doença nas folhas.

GOMOSE - As folhas ficam amareladas, com a nervura central mais clara, reflexos das lesões no tronco ao nível do solo e nas raízes, característica típica da gomose.

Fonte: Fundecitrus