Secretaria de Agricultura e Abastecimento

Coordenadoria de Defesa Agropecuária
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09/11/2016

Nova estratégia para controle do cancro cítrico é debatida durante seminário em Cordeirópolis

O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, se reuniu com representantes da cadeia produtiva de citricultura para debater as mudanças na legislação para o controle do cancro cítrico em propriedades paulistas, permitindo adotar novas estratégias que não seja exclusivamente a erradicação da planta doente. O encontro foi realizado na tarde da terça-feira, 8 de novembro, no Centro de Citricultura “Sylvio Moreira”, do Instituto Agronômico (IAC) da Pasta, em Cordeirópolis.

O seminário internacional “A Mudança da Legislação para Controle do Cancro Cítrico”, realizado pela Secretaria em parceria com o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), reuniu mais de 200 participantes entre produtores rurais, engenheiros agrônomos, técnicos da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), da Coordenadoria de Defesa Agropecuária, pesquisadores dos institutos mantidos pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) e representantes da indústria para entender e criar medidas estabelecidas pela Instrução Normativa (IN) nº 37, publicada no dia 6 de setembro de 2016, pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que permitirá fazer mitigação de risco em produção de citros.

A nova legislação estabelece medidas para o controle do cancro cítrico em todo o Brasil, abrindo a possibilidade para Estados com a incidência da praga, como São Paulo, fazerem a mitigação de risco, permitindo adotar novas estratégias de controle que não seja exclusivamente a erradicação da planta doente.

Na prática, os produtores localizados em áreas afetadas poderão comercializar frutas in natura, tanto no mercado interno como no mercado internacional, desde que adotem as medidas previstas pela legislação, devidamente atestadas em um certificado fitossanitário de origem.

A mudança na legislação atendeu à reivindicação da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da Coordenadoria de Defesa Agropecuária, juntamente com a Comissão Técnica de Citricultura e a Câmara Setorial da Pasta, resultando na Instrução Normativa.

De acordo com secretário-executivo da Câmara Setorial da Secretaria, Alberto Amorim, a mudança já vinha sendo pleiteada pelo setor há cinco anos. “Graças aos esforços do secretário Arnaldo Jardim e à sensibilidade do ministro Blairo Maggi, este importante marco legal foi finalmente promulgado, após exaustivas discussões técnicas e na Câmara Setorial. O Mapa reagiu em concordância com o setor\", destacou.

Atualmente, a conduta estabelecida pela Defesa Agropecuária é a eliminação da planta contaminada e pulverização com cobre das plantas no raio de 30 metros – procedimento que deve ser repetido a cada brotação. O citricultor deve realizar, no mínimo, uma vistoria trimestral em todas as plantas de citros da propriedade, com o objetivo de identificar e eliminar aquelas que apresentem sintomas da doença. Estas inspeções deverão ser informadas à Pasta, por meio de relatórios semestrais, assim como já é feito para o greening (HLB).

O coordenador-adjunto da Coordenadoria de Defesa Agropecuária, Mário Sérgio Tomazela, ressaltou que a mudança exigirá uma atenção maior de todos os elos da cadeia produtiva para as questões fitossanitárias, independente do sistema a ser utilizado. “É preciso monitorar cada etapa, desde a produção, passando pelo Packing House, a certificação da produção por profissionais credenciados, até chegar nas auditorias da Defesa e do Mapa”, acrescentou.

O secretário Arnaldo Jardim ressaltou que o Governo do Estado já vem colocando em prática uma série de ações para reforçar o controle de doenças como o cancro cítrico, principalmente envolvendo a questão legal, além de discutir pesquisas nas áreas de fitossanidade e medidas preventivas voltadas à educação sanitária e comunicação com a cadeia produtiva.

O titular da Pasta destacou que os trabalhos desenvolvidos pelo IAC, em Cordeirópolis, e as pesquisas realizadas pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), reafirmam o importante apoio dado pelo governador Geraldo Alckmin para citricultura. “Somente com essas medidas teremos sucesso em relação a esse novo sistema”, afirmou.

A mudança na legislação foi positiva entre os representantes da cadeia produtiva. O engenheiro agrônomo Lucas Augusto Milhossi, de Taquaritinga, explicou que a mudança é fundamental para proteger a propriedade rural, uma vez que a doença já está enraizada e está cada vez mais difícil eliminá-la. “É uma nova esperança para os produtores, pois a erradicação vinha se mostrando ineficiente”, disse.

O engenheiro agrônomo Mateus Baptistella, de Limeira, acredita que com as novas regras será possível melhorar a prática de manejo no pomar. “Isso agregará valor à produção, onde o produtor economizará tempo e dinheiro”, comentou.

O primeiro registro de cancro cítrico em São Paulo foi em 1957. A doença é causada pela bactéria Xanthomonas axonopodis e ataca todas as variedades e espécies de citros, provocando lesões em folhas, frutos e ramos, e quando em altas severidades pode provocar a queda de frutos e folhas com sintomas. As lesões podem ter variações nas suas características, podendo ser confundidas com outras doenças e pragas.

Por Paulo Prendes