Secretaria de Agricultura e Abastecimento

Coordenadoria de Defesa Agropecuária
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29/09/2016

São Paulo intensifica a vigilância das síndromes neurológicas em herbívoros

Com o objetivo de intensificar a vigilância das síndromes neurológicas em herbívoros, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da Coordenadoria de Defesa Agropecuária realizou um workshop, em Ourinhos, para orientar e atualizar os profissionais, veterinários, técnicos, produtores rurais e alunos do último ano de medicina veterinária sobre a prevenção e procedimentos de colheita e envio de amostras para diagnóstico da raiva e da Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), conhecida como a doença da “vaca louca”.

O Estado de São Paulo vem mantendo resultados positivos no controle da raiva dos herbívoros. A investigação epidemiológica vem sendo intensificada no Estado, tanto pelo serviço veterinário oficial como pelos médicos veterinários privados. “Os índices de registro da doença ainda são altos, em médica 100 casos por ano. É um número muito grande, principalmente se pensarmos em saúde pública que é a principal preocupação da Secretaria de Agricultura e Abastecimento”, disse o médico veterinário Paulo Antonio Fadil, que junto à Coordenadoria de Defesa Agropecuária responde pelo Programa Estadual de Controle da Raiva dos Herbívoros.

O diretor do Escritório de Defesa Agropecuária (EDA) de Ourinhos, Valmor Pedro Fantinel, ressaltou que na região ocorreram surtos de raiva eventuais e o evento foi fundamental para levar conhecimento para os estudantes e profissionais da área. “Há dois anos tivemos registro de raiva em herbívoros e recentemente mais um caso foi registrado no município de Pirajú”, disse o diretor. A região do EDA de Ourinhos não tem notificação de animais importados, por isso não há problemas com relação à EEB.

Sobre os fatores que contribuem para a presença de morcegos hematófagos em uma região, Fadil explicou que existe o habitat preferido desses animais que são as regiões montanhosas, porque a espécie Desmodus rotundus tem preferência por abrigos naturais. Mas, com o passar dos anos, foram criados abrigos artificiais (pontes, tubulações de rodovia, casas e poços abandonados), em regiões onde não haviam casos de raiva registrados. “Identificamos mais de 4 mil abrigos cadastrados, nos quais 80% são artificiais. É possível identificar o morcego hematófago em todo o Estado”, explicou Fadil.

Para se precaver, o produtor deve-se lembrar que sempre que ocorrer ataque desses morcegos no rebanho, é preciso comunicar a Defesa Agropecuária, por meio de suas regionais. “Normalmente quando ocorre um caso de raiva em uma região, esses morcegos transmissores muitas vezes morrem por conta da própria doença, ficando difícil localizar o abrigo. Assim, o produtor precisa reparar se o animal apresenta sinais de mordidas, e comunicar o órgão oficial para que uma equipe seja enviada para tentar localizar o abrigo e fazer o tratamento de controle populacional dos morcegos”, comentou o coordenador da Defesa, Fernando Gomes Buchala.

Já na região urbana é comum encontrar uma espécie diferente de morcegos, denominados insetívoros (que se alimentam de insetos) e frugívoros (que se alimentam de frutos) e que também podem apresentar o vírus da raiva. O risco é esses morcegos entrarem em contato com o homem e transmitir a raiva por meio da mordedura caso ele caia em uma residência e a pessoa for pegá-lo ou mesmo se ele morder o cão ou gato da família. A orientação é evitar ter contato com qualquer espécie de morcego.

Vaca Louca

Para a manutenção do risco insignificante do Brasil para a EEB é preciso adotar as medidas de prevenção e vigilância, conforme afirmou Juliana Amaral, auditora federal da Superintendência Federal do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em São Paulo.

“O médico veterinário precisa se preocupar com a vigilância sanitária do animal. Por isso, quando for feita a coleta de uma amostra para diagnóstico de raiva é preciso coletar também para a doença da Vaca Louca. Importante também é notificar a suspeita de ocorrência tanto da raiva como na EEB”, disse Juliana.

O produtor rural tem duas obrigações: notificar ocorrência de doença nas propriedades e não fornecer proteína animal aos ruminantes.

A orientação para o médico veterinário de campo, que colhe amostra para diagnósticos laboratoriais das síndromes neurológicas, é que seja feita uma colheita de materiais para conservação em gelo (para infecções virais e bacterianas) e em formol (para o diagnóstico anatomopatológico) em animais com mais de 2 anos.

O médico veterinário do EDA de Assis, Cláudio Regis Depes, reforçou a importância de os médicos veterinários seguirem o protocolo de colheita e preenchimento de documentos sanitários. “Depois que o diagnóstico de um caso positivo para EEB foi feito após um ano e meio, o Ministério firmou um protocolo onde a qualidade das amostras e o preenchimento dos dados corretamente são imprescindíveis sob risco do material ser perdido ou rejeitado”.

Para a aluna de medicina veterinária, Tais Aparecida de Souza, que tem interesse na área de inspeção sanitária que pretende buscar colocação em vigilância sanitária, foi “de grande importância a Faculdade proporcionar um dia de muito conhecimento, com ótima explicação dos profissionais”.

Os workshops regionais são promovidos pela Secretaria, por sua Coordenadoria de Defesa Agropecuária e pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), por seu Instituto Biológico (IB) e pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por sua Superintendência de São Paulo e apoio do Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV).

Os próximos workshops serão realizados em Guaratinguetá (27 de setembro), Araraquara (18 de outubro), Barretos (18 de novembro) e Ituverava (10 de novembro). Informações e inscrições devem ser feita através do site da Defesa Agropecuária, no endereço http://www.defesa.agricultura.sp.gov.br/www/eventos/index.php?action=workshopRaiva

Por Teresa Paranhos

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