Secretaria de Agricultura e Abastecimento

Coordenadoria de Defesa Agropecuária
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23/02/2016

São Paulo tem 4,6 mil abrigos de morcegos hematófagos cadastrados

1.341 propriedades registraram ataque de morcegos em herbívoros em 2015. O controle é realizado pelos técnicos agrícolas da Secretaria em capturas que avançam pela noite.

Entrar em bueiros, tocas, casas abandonadas, caminhar quilômetros mata adentro, atravessar rios equilibrando-se em cordas, descer montanha de rapel munidos de redes neblina, lanternas, luvas, óculos de proteção, máscaras, botas e puçás, depois armar a fina rede e esperar anoitecer. Essa é a lida das equipes de técnicos agrícolas da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, que atuam junto à Coordenadoria de Defesa Agropecuária e realizam o trabalho de monitoramento e controle dos abrigos do morcego hematófago (Desmodusrotundus) que se alimenta de sangue e pode transmitir a raiva aos animais.

No estado de São Paulo estão cadastrados 4.610 abrigos, sendo 3.971 classificados como abrigos artificiais, que são os construídos pelo homem, como casas abandonadas, pontes, bueiros, tubulações em rodovias, túneis, minas e 639 classificados como naturais, como tocas, grutas, cavernas e ocos de árvores.

Em 2015 foram atendidas 5.939 propriedades, sendo 1.341 com registro de ataque de animais pelo morcego hematófago e destas, 144 com diagnóstico confirmado da raiva em herbívoros que ocasionou a morte 150 animais (principalmente cavalo, bovino e carneiro).

As propriedades rurais visitadas e fiscalizadas pelas equipes da Defesa Agropecuária pertencem aos Escritórios de Defesa Agropecuária (EDAs) de Piracicaba (625), Bragança Paulista (490), Botucatu (482), Jaú (421), Marília (392) e Franca (335).

“Nas visitas, os técnicos orientam sobre o controle da doença, o uso da pasta vampiricida nos animais que apresentam mordeduras por morcegos e a vacinação em regiões de risco. É importante lembrar que os morcegos não devem ser manipulados. O criador ao notar mordeduras nos animais deve comunicar ao órgão oficial de defesa”, orienta o médico veterinário da Secretaria Paulo Antonio Fadil, que na Coordenadoria de Defesa Agropecuária é responsável pelo Programa Estadual de Controle da Raiva dos Herbívoros e coordena as equipes de controle.

Das 1.125 capturas realizadas em 2015 pelas equipes, 214 foram noturnas ou na fonte de alimentação, como eles dizem, nos refúgios onde os morcegos esperam anoitecer e se preparam para atacar. Nessa atividade os técnicos agrícolas armam as redes neblina, que são finas, quase imperceptíveis, e específicas para esse fim, e esperam que os morcegos saiam para se alimentar com o sangue dos animais do local.

Roberto Chaguri, técnico agrícola com muita experiência no trabalho de controle dos hematófagos relata que as capturas noturnas em “boca de cavernas” são as mais complicadas. “Como as cavernas são isoladas, temos que nos abrigar em barracas para nos proteger. Isso porque a cada dez minutos é preciso inspecionar a rede e retirar os morcegos que ficaram presos. Eles são colocados em uma gaiola, depois os morcegos de outras espécies são soltos e os identificados como hematófagos recebem a pasta e são soltos para voltar aos seus abrigos.Às vezes passamos a noite toda na espera”, explicou.

Para José Irineu da Silva, também técnico agrícola com larga experiência, “o trabalho é difícil, mas é gratificante, pois os produtores ficam felizes quando a equipe chega, pois estamos protegendo a saúde dos seus animais e de sua família. Vamos a campo com o mapa da região que tem os abrigos cadastrados geoposicionados, mas muitas vezes os produtores nos acompanham, pois eles conhecem bem a região e sabem onde tem abrigos novos”. Outro fator gratificante é o trabalho ser realizado em equipe “às vezes caminhamos dois quilômetros para chegar a um abrigo de difícil acesso, mas sempre um atento à segurança do outro”, disse Silva.

Durante todo o ano, 7.990 morcegos hematófagos foram capturados. Alguns exemplares foram encaminhados para o Instituto Biológico de São Paulo, também órgão da Secretaria, para diagnóstico da raiva e parte recebeu tratamento com pasta vampiricidas e foram soltos para retornar à suas colônias. Como os morcegos têm o hábito de lamberem um ao outro, eles contaminam outros da espécie, reduzindo a população e os ataques.

O trabalho de controle do Desmodus rotundus deve ser realizado por pessoal habilitado e imunizado, com conhecimento para a identificação dos morcegos capturados e pelo alto risco de contrair a doença. “O compromisso da Defesa Agropecuária é com a sanidade dos rebanhos e proteção à saúde do produtor rural e sua família” explicou Fadil, lembrando que “a escassez da oferta de alimentos em seu habitat natural é que leva os morcegos hematófagos a atacar as criações”.

Sempre que há uma suspeita ou diagnóstico positivo para raiva animal, uma equipe de controle é mobilizada para realizar a fiscalização no local do foco e do perifoco, que é a região delimitada de 15 a 20 quilômetros da ocorrência, e feita a comunicação ao órgão de Saúde para prestar atendimento às famílias.

CONTROLE - O controle populacional dos morcegos hematófagos é de extrema importância, pois esses animais são transmissores da raiva, uma zoonose grave e letal para os animais e seres humanos. No meio rural, os animais mais comumente afetados pela raiva são os bovinos e equídeos, mas todos os mamíferos são suscetíveis à doença. Estes animais, quando doentes, apresentam sinais neurológicos, sendo que os mais comuns são a paralisia dos membros, a agressividade e a salivação.

Apesar da vacinação contra a raiva não ser obrigatória, é recomendado que os produtores rurais vacinem os animais dos rebanhos nas regiões onde existe ocorrência endêmica da doença e onde o relevo regional favorecer a existência dos abrigos para o morcego transmissor.

PALESTRA - O 1º Ciclo de palestras de Saúde Animal sobre Raiva dos Herbívoros será realizado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA), no dia 2 de março, das 8 às 12 horas, no Centro Canagro “José Coral”, em Piracicaba/SP

Por Teresa Paranhos

Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

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