Secretaria de Agricultura e Abastecimento

Coordenadoria de Defesa Agropecuária
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29/07/2016

Secretaria de Agricultura se atenta para as novas exigências do mercado de aves

O bem-estar animal, tratamento de resíduos e ambiência são as novas exigências de mercado de ovos no Brasil. Com o intuito de sanar as principais dúvidas sobre o tema, foi realizada a 39ª Jornada Técnica, durante a 57ª Festa do Ovo, em Bastos, em 15 de julho, reunindo avicultores, estudantes, pesquisadores e profissionais da área de todo o Brasil.

Sobre os principais aspectos a serem observados no processo de compostagem de dejetos, a nutricionista de aves da Universidade de Campinas (Unicamp), Karolina Von Zuben Augusto, disse que é um processo bem amplo que envolve diversos parâmetros que devem ser controlados e gerenciados. “Os principais pontos são a composição e as características da matéria prima; proporção da matéria-prima e tipo de sistema de compostagem, podendo ser aberto ou fechado, com revolvimento ou estático. Dentro do processo tem que se controlar a temperatura, umidade e o nível dos nutrientes”, explicou.

Quanto aos benefícios da compostagem, Karolina destacou a transformação do resíduo em um produto comercializável, eliminação do potencial do resíduo gerar poluição ambiental e transformação dos nutrientes em fertilizantes orgânico e mineral. Dependendo da matéria-prima originária, o composto orgânico é indicado para um tipo de cultura. “Geralmente quando a compostagem é feita com resíduos de origem animal ela é indicada para grandes culturas e não são recomendadas para hortaliças e jardinagens. Se for utilizada como adubação em pastagem para bovinos deve ser respeitado o período de carência antes de colocar o animal no pasto”, explicou a nutricionista.

Para o médico veterinário e professor do departamento de Nutrição e Produção Animal da Universidade de São Paulo (USP) em Pirassununga, Ricardo de Albuquerque, o desafio atual na produção de ovos é o bem-estar animal. Ele enfatizou que no Brasil ainda não há um estudo concreto, mas nos Estados Unidos e na Europa já há movimentos de grandes empresas, fornecedores de ovos de varejo e de fast food restringindo a compra ou marcando prazo para só utilizar ovos produzidos por galinhas fora da gaiola.

“O criador deve começar a pensar nessa possibilidade em nosso modelo de criação. Já há alguns consumidores cobrando esse sistema da produção do Brasil. O produtor deve estar preparado para pensar em atender um possível mercado. É uma questão além do manejo e do bem-estar. É uma questão de mercado”, disse Albuquerque.

Para o engenheiro agrônomo coordenador do Núcleo de Pesquisa em Ambiência, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), em Piracicaba, Iran José Oliveira da Silva, o efeito da climatização, dependendo do tipo utilizado, é positivo na produtividade avícola. Dados de 1998, disse ele, mostram que só com o fato de modificar o isolamento dos aviários já se consegue aumentar a postura em torno de 12%. “Também existem dados sobre a pintura de telhado, arborização e o efeito da nebulização dentro do aviário, que resultam no acrescimento em torno de 6% ou 5%, além da redução da mortalidade”, explicou.

A redução do calor interno dos aviários foi outro ponto focado pelo pesquisador. O preconizado, disse ele, “é começar reduzindo a densidade de galinhas para diminuir a quantidade de calor e trabalhar com ventilação e isolamento (pintura de telhado, forro nas estruturas, arborização ao entorno das instalações). O investimento pode ser gradativo e numa segunda etapa começar com as linhas de nebulização e ventilação forçada”.

Referência em sanidade avícola

O secretário Arnaldo Jardim lembrou que a parceria entre a iniciativa privada e o Governo do Estado para manter a sanidade avícola tem produzido ótimos resultados. “A partir do diálogo permanente mantido com a Associação e a Câmara Setorial de Avicultura, temos encaminhado diversas ações como a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA), que reduziu a burocracia e melhorou a vida do produtor, além do laboratório de Descalvado, mantido pelo nosso IB, que desenvolve pesquisas e novas tecnologias direcionadas à sanidade avícola; e o trabalho da nossa Coordenadoria de Defesa Agropecuária, que se mobilizou para atuar contra a influenza aviária, por meio de treinamento e monitoramento dos locais de pouso de aves migratórias para não termos vulnerabilidades”, apontou o titular da Pasta, lembrando que está seguindo as orientações do governador Geraldo Alckmin.

O titular da Defesa Agropecuária, Fernando Gomes Buchala, ressaltou a relevância do tema do evento, por se tratar de assunto não só contemporâneo, mas de vanguarda. “Nós temos uma necessidade constante de manter a segurança dos planteis. O tema sanidade vem sendo incorporado no dia a dia dos avicultores e agora, muito oportunamente, já se coloca nova barreira que é a questão de bem-estar animal, de resíduos e ambiência. É um olhar de futuro, para as novas exigências do mercado”, acrescentou.

Antonio Batista Filho, diretor do Instituto Biológico (IB), da Secretaria, destacou o certificado de acreditação (ISSO 17025) concedido pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) à Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Bastos, do Instituto, que atribui reconhecimento internacional às análises laboratoriais para a detecção e controle da sanidade avícola.

Para Batista, a acreditação do Instituto Biológico foi resultado de um esforço muito grande, em parceria com a Defesa Agropecuária, Prefeitura de Bastos e o Sindicato Rural de Bastos. “Um trabalho longo que torna os nossos diagnósticos reconhecidos nacionalmente e internacionalmente e dá mais credibilidade ao status sanitário”, enfatizou. Para registrar os agradecimentos, o diretor do IB homenageou os parceiros e a direção e funcionários da unidade com a entrega de um certificado pela participação nessa conquista.

Por Teresa Paranhos

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