Secretaria de Agricultura e Abastecimento

Coordenadoria de Defesa Agropecuária
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14/02/2017

Secretaria incentiva a produção de mudas de seringueiras sadias

Para a produção de mudas de seringueiras em bancada e substrato, o viveirista conta com financiamento do Governo Estadual pelo Feap

Para demonstrar aos viveiristas, agrônomos e produtores rurais a grande diferença que é a produção de mudas de seringueira formadas em bancada e substrato em relação a muda de solo, foi realizado nos dias 2 e 3 de fevereiro, o “III Workshop de Mudas de Seringueira em Bancada e Substrato”. O evento, promovido pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por sua Coordenadoria de Defesa Agropecuária, reuniu 54 participantes no Escritório de Defesa Agropecuária de São José do Rio Preto.

Desde janeiro de 2016 não se pode mais produzir mudas de seringueira no chão. Toda muda deve ser produzida em bancada e com substrato para que seja totalmente livre de praga. As mudas de chão que ainda existem podem ser comercializadas até 30 de abril de 2017.

O engenheiro agrônomo da Secretaria Paulo Fernando de Brito, que junto à Defesa Agropecuária responde pela direção técnica do Escritório de Defesa Agropecuária (EDA) de Barretos, explicou que há uma tratativa para que se prorrogue essa venda até dezembro para que o viveirista possa comercializá-las e assim ter capital para investir na nova tecnologia. “Ainda tem aproximadamente 2,5 milhões de mudas enxertadas e porta-enxerto, remanescentes de 2015 que não foram comercializadas”, disse Brito.

A adesão ao novo sistema de produção ainda é tímida, mas o produtor que já plantou as mudas produzidas em bancadas e substrato não quer mais as mudas de chão. Com relação aos viveiristas ainda há certa resistência para adesão ao novo sistema. “Mas é preciso levar em conta a crise que abateu o setor de seringueira no Estado e no Brasil. Em 2015 e 2016 o setor sofreu pelos baixos preços recebidos pelos produtores de borracha natural e isso refletiu fortemente no preço da muda. O viveirista não tem vendido ou se vendeu foi por aproximadamente 2 reais a muda, valor abaixo do seu custo de produção, e ficou sem capital para investir na nova tecnologia”, disse Brito. Esse panorama felizmente está mudando, pois já houve uma sensível melhora no preço da borracha natural, o que deve estimular o preço da muda e gerar maior adesão dos viveiristas ao novo sistema.

O viveirista Valdecir Esteves que já produz mudas de seringueira em bancada e substrato há 4 anos e diz ter acertado e aprendido muito. Ele tem estrutura para fazer 70 mil mudas, mas para este ano só produziu 10 mil, em função de existirem mudas de chão no comércio. Foi em seu viveiro, no Sítio Pinheiro, no município de Urupês-SP, que os participantes do workshop visitaram. Ele falou com entusiasmo que “a muda produzida no chão é bonita, mas sai muito desigualada. A muda do substrato é mais igualada e não vai para o campo com doença na raiz.”

A doença na raiz que Esteves se referiu são os nematóides. O Meloidogyne exígua raça 3, é o que mais preocupa dos produtores de seringueira, deixando a planta suscetível a fungos e reduzindo a produção de látex porque a planta fica debilitada. “A principal orientação é fazer a aquisição de mudas sadias, livres dos nematóides”, disse o palestrante José Carlos Pezzoni Filho, da Faculdade de Ciências Agronômicas de Botucatu.

Os participantes tiveram a oportunidade de visitar plantios instalados com mudas produzidas em bancada e substrato, lado a lado, com mudas produzidas no chão.

O cuidado na produção das mudas deve ser focado na escolha das sementes e das borbulhas. “O produtor que queira montar um viveiro e um jardim clonal tem que buscar material com origem genética comprovada e ele só consegue isso dentro do Centro de Pesquisa como é o caso do Centro de Pesquisa da Apta, em Votuporanga que já está regularizado no Ministério e na Secretaria”, disse o auditor fiscal agropecuário André Guilherme Mardegan, da UTRA, a Unidade Regional do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de de São José do Rio Preto-SP.

Presente no encerramento do evento, João Brunelli Júnior, coordenador da Assistência Técnica Integral (Cati), informou que está sendo feito um trabalho de planejamento regional das principais cadeias produtivas. Um projeto regional integrado buscando uma renovação da seringueira já foi apresentado pelo grupo da seringueira que representa as regiões de Jales, Fernandópolis, Votuporanga, General Salgado, São José do Rio Preto e Barretos, que representa mais de 80 por cento de toda seringueira do Estado. “Hoje dos 100 mil hectares de seringueiras plantado, mais de 40 por cento precisa ser renovado, pois estão com mais de 30 anos”, disse Brunelli. A Cati está realizando testes regionais para orientar o plantio integrado cacau/seringueira, com objetivo de aumentar a rentabilidade.

José Francisco Tristão, da assessoria técnica da Defesa Agropecuária reforçou aos participantes a importância em se observar a legislação fitossanitária na produção de mudas para que o produto adquirido pelo produtor não seja agente de doenças que poderão comprometer a produção.

Linha de Financiamento

O Governo do Estado, através da Secretaria, possibilita ao viveirista financiar a produção de mudas pelo Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap). Dentro das cadeias produtivas que são possíveis de financiamento pode ser financiado todo o sistema de plantio de mudas nativas e florestais (item sementes e mudas). O financiamento pode incluir toda a atividade, desde a implantação das bancadas, preparo do local, cerca e insumos necessários, incluído a irrigação. Pode ser financiado até 200 mil reais por beneficiário, com juros de 3 por cento ao ano, com 2 anos de carência e 6 anos para pagar. “O produtor interessado deve procurar a Casa da Agricultura do município onde vai ser implantado o viveiro e receber as informações do técnico para executar o projeto que deverá ser entregue ao Banco do Brasil”, explicou o engenheiro agrônomo da Secretaria Carlos Albero De Luca, que junto à Cati responde pela direção técnica Regional de Votuporanga.

Por Teresa Paranhos

Assessoria de Comunicação

Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

(19) 3045.3350