Secretaria de Agricultura e Abastecimento

Coordenadoria de Defesa Agropecuária
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CANCRO CÍTRICO


 

Descriçao Sumária do Programa

O cancro cítrico causado pela bactéria Xanthomonas citri subsp. citri é uma das doenças mais graves que a citricultura enfrenta no momento.
A única medida de controle, até hoje, reconhecida mundialmente como eficiente é a realizada através do método de inspeção constante e eliminação de plantas contaminadas e daquelas consideradas suspeitas dentro de um determinado raio. Sua disseminação pode ocorrer através de materiais de propagação contaminados, roupas, material de colheita, veículos, vento, insetos e outros animais.
As ações governamentais tem como objetivo garantir o cumprimento das legislações federais e estaduais específicas para o controle do cancro cítrico e do Decreto Estadual 45.211, de 19/09/2000, viabilizando a sustentabilidade econômica da citricultura no Estado através do controle desta doença.

Descrição da Doença

O cancro cítrico, causado pela bactéria Xanthomonas citri subsp. citri, ocasiona lesões locais em folhas, frutos e ramos.
A bactéria penetra por meio de aberturas naturais dos tecidos (estômatos) ou por ferimentos provocados pelo vento, operações no pomar ou pela larva minadora (Phyllocnistis citrella), inseto que contribui muito para o aumento do número de plantas infectadas no campo devido as galerias que formam nas folhas, as quais atuam como porta de entrada para a bactéria.
A infecção se dá quando esses órgãos são ainda bem novos, mas a manifestação dos primeiros sintomas pode demorar desde poucos dias a uma ou duas semanas após a infecção, dependendo das condições climáticas e da susceptibilidade da cultivar. As folhas são mais susceptíveis à infecção entre 7 e 14 dias após o início do desenvolvimento do broto. A infecção nos frutos se dá, principalmente, quanto medem 3 a 8cm de diâmetro. Os sintomas começam a ser mais facilmente visíveis nas folhas depois de 7 dias e nos frutos quando atingem tamanho maior que 8cm e vão se intensificando e permanecem aparentes até o amadurecimento das folhas, galhos e frutos.
As lesões são salientes, corticosas, cor de palha ou pardacentas. Em estágio adiantado podem aparecer crostas escuras, apresentando fissuras as vezes concêntricas ou com pequenas crateras por onde, em condições ambientais favoráveis, exsuda a bactéria.
Nas folhas as lesões são visíveis dos dois lados e se constata correspondência nas faces ventral e dorsal, no entanto, não provocam a deformação das folhas. Um halo clorótico rodeia as lesões, bem visível por transparência, mas pode desaparecer quando estão mais velhas. A doença provoca a queda de folhas e o patógeno sobrevive por vários meses nas folhas caídas.
As lesões nos frutos podem atingir de 2 até mais de 10mm de diâmetro; são salientes, corticosas, cor de palha ou pardacentas. Em estágio adiantado,podem romper os tecidos, por onde penetram outros organismos como fungos que provocam a queda e apodrecimento dos frutos. As lesões podem coalescer (unirem-se) tomando grandes áreas, o que os torna imprestáveis para o comércio.
(Retirado do Manual de Procedimentos sobre erradicação do cancro cítrico- Coordenadoria de Defesa Agropecuária - 2005)

Justificativa do Programa

Por se tratar de praga quarentenária A2 pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, segundo Instrução Normativa nº 52, de 20/11/2007 e Instrução Normativa nº41, de 01/07/2008 , o cancro cítrico impossibilita a comercialização de frutos cítricos contaminados para os países e Estados da Federação livres da doença.
O trabalho de eliminação de plantas contaminadas não foi imputado somente ao Estado, mas foi definitivamente assumido pelos próprios citricultores, que são os principais interessados.
É uma doença que não respeita região, proprietário e nem mesmo tamanho de propriedade. Métodos curativos não existem e a solução é a inspeção constante e eliminação sistemática de plantas contaminadas e daquelas localizadas em um determinado raio.

Histórico do Programa

No ano de 1957, o Cancro Cítrico foi constatado pela primeira vez no Brasil, mais especificamente no município de Presidente Prudente, Estado de São Paulo. A doença foi posteriormente verificada nos Estados do Paraná (1958), Mato Grosso (1959), Rio Grande do Sul (1980), Santa Catarina (1985) e em Minas Gerais (1998).

Em São Paulo conseguiu-se evitar até novembro de 1979 que a moléstia se alastrasse para a zona citrícola de exportação, através de diversas medidas de controle. Entretanto, esta doença ultrapassou esta barreira, sendo Monte Alto, localizado na região de Ribeirão Preto, o primeiro município da zona citrícola de exportação em que a doença foi constatada.
Na América do Sul, além do Brasil, a bactéria causadora do cancro cítrico também ocorre na Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai.

Em alguns países como a Austrália, África do Sul, Estados Unidos e Nova Zelândia, a erradicação da bactéria foi conseguida após eliminação sistemática de plantas infectadas durante vários anos. Entretanto, nos Estados Unidos, a bactéria foi reintroduzida, sendo que atualmente ocorre em grande escala na região urbana de Miami, além de pomares comerciais na Flórida. Também na Austrália ocorreram reintroduções.

Estratégias / Atividades do Programa

O controle do cancro cítrico é um programa a nível nacional coordenado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento- MAPA, sendo executado no Estado de São Paulo pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento, através da Coordenadoria de Defesa Agropecuária. A constatação da contaminação pelo cancro cítrico é realizada através de inspeção das plantas cítricas, sendo a praga confirmada através de exame laboratorial. Após a confirmação é determinada a eliminação sistemática das plantas infectadas e daquelas consideradas suspeitas dentro do raio, conforme a legislação. O não cumprimento das legislações específicas para o controle do cancro cítrico e do Decreto Estadual 45.211, de 19/09/2000, torna o infrator propensos a multas de até 5.000 UFESPs, conforme determina o artigo 35 do Decreto Estadual 45.211, de 19/09/2000.
Outras medidas de controle que visam evitar a disseminação da doença também são recomendadas, tais como a utilização de materias de propagação sadios, a desinfestação de veículos, dos materiais utilizados durante a colheita, a queima de restos de colheita, a utilização de bins nos limites da propriedade, o uso de quebra-ventos, o controle da larva minadora (Phyllocnistis citrella) e a adoção de outras medidas que evitem ferimentos nos tecidos das plantas, os quais servem de porta de entrada para a bactérica causadora do cancro-cítrico.

Base Legal


  Decreto - 24.114, de 12/04/1934
  Decreto - 45.211, de 19/09/2000
  Lei - 10.478, de 22/12/1999
  Portaria CDA - 28, de 18/09/2007
  Portaria MA - 291, de 23/07/1997
  Resolução SAA - 43, de 25/6/2009


Artigos/Documentos Técnicos

  RESOLUÇÃO CEE-CANECCSP 01 e 02-2000.doc


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