Secretaria de Agricultura e Abastecimento

Coordenadoria de Defesa Agropecuária
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HUANGLONGBING - (HLB ou GREENING)


 

Descriçao Sumária do Programa

O controle do Huanglongbing (HLB), doença também conhecida como "Greening" ou "Amarelão", é um programa a nível nacional coordenado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento- MAPA, amparada pela Instrução Normativa Nº 53, de 16/10/08, sendo executado no estado de São Paulo pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento, através da Coordenadoria de Defesa Agropecuária.

Descrição da Doença

É uma temida doença dos citros originaria da China, que atualmente encontra-se presente em vários países. No Brasil foi constatada pela primeira vez em 2004, na região central do estado de São Paulo, trazida possivelmente através de material de propagação vegetativo introduzido clandestinamente, atualmente encontra-se disseminada por todo o Estado. Os agentes causais do HLB são bactérias denominadas Candidatus Liberibacter spp. que colonizam o floema das plantas. No estado de São Paulo são duas as espécies presentes, Candidatus Liberibacter americanus e Candidatus Liberibacter asiaticus, sendo que esta última está mais distribuída nos municípios paulistas. O vetor é um inseto da família Psylidae, a Diaphorina citri, presente em quase todo Brasil. Tanto as bactérias causadoras do HLB como o inseto vetor possuem como hospedeira a planta Murraya paniculata, conhecida como murta, por este motivo, esta planta deve ser eliminada nas regiões citrícolas. Já existem, em alguns municípios, legislações que obrigam a eliminação da murta na zona urbana.
A incubação da doença se dá por volta de dois anos, podendo provocar o declínio, a redução drástica da produção e a morte da planta, não havendo, até o momento, métodos curativos para o controle da doença.
A distribuição da bactéria pode se dar de maneira irregular, motivando na maioria dos casos, sintomas iniciais em um só setor da árvore, na forma de clorose (mosqueado irregular) ao longo das nervuras das folhas, progredindo para amarelecimento e surgimento de ramos com folhas amarelas, contrastando com o verde restante da copa. Pode haver brotação das folhas com tamanho reduzido apresentando clorose, assemelhando-se a um sintoma de deficiência de zinco ou ferro, porém, a clorose ocasionada pelo HLB é distribuída de forma assimétrica na folha. Os frutos sintomáticos geralmente são pequenos, deformados, e podem apresentar a casca total ou parcialmente verde na parte basal, espessamento do albedo (parte branca da casca) e sementes abortadas.
Todos os cultivares e híbridos cítricos são afetados pelo HLB, destacando-se como mais suscetíveis as laranjas doces, as tangerinas e seus híbridos.
A contaminação de uma área indene se dá por insetos vetores ou pelo plantio de mudas infectadas.

Justificativa do Programa

A citricultura brasileira apresenta números expressivos que traduzem a grande importância econômica e social que a atividade tem para a economia do País. O Brasil é o maior produtor de citros do mundo, detendo 32,7% da produção de laranja e 55,8% da produção de suco de laranja. O estado de São Paulo é responsável por 77,5% da produção nacional de laranja.
O HLB é uma das mais importantes doenças dos citros da atualidade, o agente causal é classificado como praga quarentenária A2, segundo Instrução Normativa nº 52, de 20/11/2007 e Instrução Normativa nº41, de 01/07/2008, constituindo-se em um fator de restrição à comercialização de frutos cítricos para países e unidades da Federação livres da doença.
É uma praga que não respeita região, proprietário e nem mesmo tamanho de propriedade. Métodos curativos não existem, sendo a eliminação imediata da planta com sintoma da doença, associado ao controle do inseto vetor e uso de mudas sadias, a única solução para conter a sua expansão.
Devido a capacidade do vetor se dispersar a longas distâncias, o inóculo presente em propriedades que não cumprem a legislação específica para a doença, coloca em risco a sanidade do pomar de propriedades vizinhas. Desta forma, para a contenção do HLB é necessário um manejo regional, através da adoção de medidas de controle conjuntas e simultâneas por todos os produtores da região.
As ações governamentais tem como objetivo garantir o cumprimento da Instrução Normativa Nº 53, de 16/10/08, e do Decreto Estadual 45.211, de 19/09/2000, viabilizando o manejo do HLB, e, assim, a manutenção da citricultura no Estado.

Histórico do Programa

Os primeiros relatos sobre Huanglongbing ocorreram no Estado de São Paulo no ano de 2004. Desde então, a Coordenadoria de Defesa Agropecuária tem desempenhado ações objetivando o controle do HLB.

Estratégias / Atividades do Programa

OBRIGATORIEDADE DE INSPEÇÃO PELO PRODUTOR
A Portaria CDA-04, de 12/03/2009, delimita e oficializa todo o estado de São Paulo como área sob vigilância fitossanitária visando o controle do HLB.
Em todas as propriedades onde existam plantas hospedeiras do HLB no Estado, o proprietário, arrendatário ou ocupante a qualquer título promoverá obrigatoriamente, no mínimo, vistorias semestrais, objetivando identificar e eliminar as plantas com sintomas de HLB.

APRESENTAÇÃO DE RELATÓRIO PELO PRODUTOR
O proprietário, arrendatário ou ocupante a qualquer título do estabelecimento deverá apresentar dois relatórios anuais, comunicando a CDA os resultados das vistorias referentes ao semestre imediatamente anterior, sendo o primeiro até 15 de julho e o segundo até 15 de janeiro.
O preenchimento dos relatórios deverá ser realizado através do site da CDA (http://www.cda.sp.gov.br).

ELIMINAÇÃO DAS PLANTAS CONTAMINADAS PELO PRODUTOR
O proprietário, arrendatário ou ocupante deve eliminar, às suas expensas, as plantas de citros ou de murta contaminadas com HLB, mediante arranquio ou corte rente ao solo, com manejo para evitar brotações, não lhe cabendo qualquer tipo de indenização.

FISCALIZAÇÃO
Cabe à CDA fiscalizar as propriedades produtoras de citros objetivando identificar a existência de plantas contaminadas com HLB. Para isso, são realizadas, por meio de exame visual oficial, inspeções de plantas para determinar se existem sintomas da praga e se o produtor está cumprindo as regulamentações fitossanitárias. Sendo detectadas plantas com sintomas de HLB, as mesmas são identificadas, sendo coletada amostra composta do material suspeito, referente a 10% do total de plantas identificadas em cada Unidade de Produção (UP) para exame laboratorial oficial. Caso o resultado laboratorial da amostra composta for positivo e o percentual de plantas com sintomas de HLB for inferior ou igual a 28%, todas as plantas sintomáticas identificadas deverão ser eliminadas, se o resultado laboratorial da amostra composta for positivo e o percentual de plantas com sintomas de HLB for superior a 28%, deverão ser eliminadas todas as plantas da UP.
O não cumprimento da Instrução Normativa Nº 53, de 16/10/08, e do Decreto Estadual 45.211, de 19/09/2000, torna os infratores propensos à penalidade de multa que variam de 100 a 5.000 UFESPs conforme determina o artigo 35 do Decreto Estadual 45.211, de 19/09/2000.

OUTRAS MEDIDAS IMPORTANTES PARA O CONTROLE DO HLB

- USO DE MUDAS SADIAS: O uso de mudas sadias é de grande importância para evitar a introdução do HLB em propriedades indenes. No estado de São Paulo, a produção de mudas cítricas obedece a determinações legais que asseguram a sanidade das mesmas. Entre essas determinações, exige-se que a produção seja em ambiente protegido com tela de malha de 0,87mm por 0,30mm a prova de insetos afídeos e outros de menor porte. Além disso, toda muda é obrigatoriamente enxertada com borbulhas oriundas de borbulheiras cadastradas, as quais são examinadas anualmente e mantidas em ambiente protegido com o mesmo tipo de malha.

CONTROLE DO VETOR: O psilídeo (D. citri) é um vetor eficiente na disseminação do HLB, apresenta rápida reprodução e alta capacidade de dispersão. O adulto de D. citri pode ser observado durante todo o ano, entretanto, a sua reprodução ocorre nos períodos de brotação, em qualquer estação do ano, mesmo naquelas que ocorrem no inverno. O primeiro surto após o período de stress da planta, no início do período das chuvas, é o ponto chave para início de controle, e se o controle for eficiente nesse momento, podem-se evitar as altas populações no final do ano e início do ano seguinte. O controle do psilídeo em plantas novas deve ser mais rigoroso, pois vegetam muito mais vezes, tendo uma maior probabilidade de serem visitadas pelo vetor. Em plantas com idade mais avançada, os monitoramentos periódicos devem ser realizados para controle de eventuais infestações. O uso de armadilhas amarelas é recomendado para o monitoramento da população. A rápida eliminação de plantas com sintomas do HLB também é uma prática importante, pois se não há plantas infectadas também não haverá vetores infectivos. As plantas sintomáticas atraem os psilídeos devido ao amarelecimento das folhas e por meio de compostos voláteis exalados pela mesma, o que maximiza a aquisição da bactéria. O controle químico é a principal forma de controle do psilídeos, existindo diferentes inseticidas registrados com esta finalidade. Para a eficiência do controle do vetor, assim como o da doença, é necessário a união de todos os produtores e a adoção de ações conjuntas, simultâneas e regionais, utilizando-se as técnicas adequadas, no tempo correto.

Base Legal


  Decreto - 24.114, de 12/04/1934
  Decreto - 45.211, de 19/09/2000
  Instrução Normativa MAPA - 53, de 16/10/2008
  Lei - 10.478, de 22/12/1999
  Portaria CDA - 4, de 12/03/2009
  Portaria CDA - 5, de 19/3/2009


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