Secretaria de Agricultura e Abastecimento

Coordenadoria de Defesa Agropecuária
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20/07/2017

Manejo irregular de adubos orgânicos provoca o aumento de focos da mosca-dos-estábulos no Estado de São Paulo

A reprodução do inseto ocorre onde há acúmulo de vinhaça, torta de filtro, cama de frango ou outros adubos orgânicos. Constata a irregularidade os infratores podem ser autuados.

Um surto atípico da mosca-dos-estábulos (Stomoxyx calcitrans) vem causando sérios prejuízos à criação de bovinos, equinos e suínos em várias regiões do Estado – com mais intensidade nas regionais de São José do Rio Preto, General Salgado, Araçatuba, Andradina, Dracena, Tupã, Bauru e Catanduva - exigindo uma resposta imediata da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. O inseto, que se alimenta do sangue dos animais, é responsável pela transmissão de doenças ao rebanho e tem se tornado mais frequente em locais onde há acúmulo de material orgânico como a vinhaça, torta de filtro, cama de frango ou outros adubos orgânicos.

Uma operação formada por técnicos da Coordenadoria de Defesa Agropecuária e Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), das regionais de São José do Rio Preto e General Salgado estive nos municípios de José Bonifácio e Planalto para constatar a ocorrência dos surtos e das irregularidades nos potenciais focos de proliferação da mosca-dos-estábulos. Foi observado manejo irregular da vinhaça e da torta de filtro nas áreas de plantio de cana-de-açúcar.

A Defesa Agropecuária em conjunto com a Cati está tomando as medidas necessárias que incluem as determinações, notificações e autuações para no menor tempo possível, ver diminuída a incidência dos surtos. É uma ação pró-ativa, verificando o que está acontecendo, constatando os surtos, notificando adequadamente e tomando as providencias que forem necessárias.

O secretário Arnaldo Jardim publicou a Resolução SAA - 38, de 03 de julho, que criou o programa de controle e prevenção de surto da mosca-dos-estábulos causador de dano à população ou à pecuária. Esta Resolução “permite que todas as unidades da Secretaria possam desenvolver ações, cada um na sua especificidade. Seja a pesquisa para buscar o controle da mosca, a Cati com um trabalho de orientação dos produtores rurais ou a Defesa Agropecuária autuando aqueles que estão de alguma forma possibilitando a intensa proliferação da mosca-dos-estábulos”, disse José Luiz Fontes, chefe da Assessoria Técnica da Secretaria.

Fontes disse ainda que a preocupação da Secretaria é resolver definitivamente este problema que vem atormentando os produtores da região há quase dez anos, pois “os surtos começaram não tão intensos, mas hoje estão insuportáveis para os pecuaristas”.

Para o produtor rural Reginaldo Toloi, da Chácara São José, no município de Planalto a situação já saiu do controle, pois com o ataque das moscas, o gado fica no cocho para engordar em 60 dias, mas em quatro meses os animais não engordam. Os dois cachorros Pastor Alemão da propriedade tiveram que ser doados, pois “o ataque da mosca-dos-estábulos foi tão grande que só sobrou metade das orelhas”, lamentou.

O criador contou que em 2011 perdeu 23 vacas de leite e a média anual tem sido de 8 a 10 vacas. No primeiro semestre deste ano morreram seis vacas e outras duas terão o mesmo fim, pois não respondem mais a remédios. Toloi disse que “para resolver esse problema temos que caminhar juntos. A usina tem que se importar mais com o meio ambiente e com o gado e não deixar o ‘garapão’ esparramado como fica, pois todo mundo tem que viver e tocar a vida”.

Como a questão não envolve só a saúde animal, mas a saúde humana, Fernando Gomes Buchala, coordenador da Defesa Agropecuária disse que a Secretaria vai buscar o fortalecimento das ações junto à Secretaria do Meio Ambiente, ao Ministério Público e outras instituições que tiverem algum nível de relação com o problema “para demonstrar a problemática, sensibilizá-los e colocá-los nessa força tarefa porque nas regiões afetadas é impossível o convívio com esse tipo de ocorrência que nós encontramos”.

Sidney Ezídio Martins, diretor técnico do EDR de General Salgado e membro do Grupo Técnico da mosca-dos-estábulos composto por especialistas da Secretaria que atuam no Instituto Biológico, ligado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), da Defesa Agropecuária e da Cati lembrou que, quando do aparecimento dos primeiros surtos em 2008 não existia um mecanismo para controlar as moscas “fazíamos o trabalho de extensão, de conscientização, principalmente do manejo da vinhaça, das esterqueiras das propriedades rurais. Era um trabalho de capacitação e treinamento. Agora com o avanço dos estudos e a criação do grupo técnico e com a legislação temos uma ferramenta para amenizar o problema perante o produtor rural”.

Os produtores que tiverem problema com a mosca-dos-estábulos devem procurar as unidades da Secretaria para que sejam tomadas as providencias que forem necessárias.

Por Teresa Paranhos

Assessoria de Comunicação

Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

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