Febre Aftosa - Palestra que abordou a prevenção e os cuidados contra a doença foi destaque na participação da Defesa Agropecuária na Coplacampo 2026
Aconteceu nesta semana, entre os dias 23 a 27, em Piracicaba, a edição 2026 da Coplacampo, evento realizado pela Coplacana e que reúne serviços, produtos e tecnologias voltados ao produtor rural e a Defesa Agropecuária, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), esteve presente durante os cinco dias com atendimento ao público, orientações acerca dos serviços essenciais como a Guia de Trânsito Animal (GTA), além de apresentar palestra no último dia 25 que abordou a prevenção e os cuidados que o produtor deve adotar para evitar a reintrodução da Febre Aftosa no território paulista.
“Estamos numa nova etapa no processo de vigilância dessa doença, no qual o papel do produtor é fundamental no sentido ser os olhos da Defesa Agropecuária dentro da propriedade, pois são os produtores e seus colaboradores que estão na propriedade, vistoriando os animais diariamente ou ainda, de dias em dias e são eles que terão que nos acionar em caso de alguma suspeita”, comentou Breno Welter, médico-veterinário e chefe do Programa Estadual de Vigilância para a Febre Aftosa, responsável pela palestra.
Em sua apresentação, Breno apresentou aos presentes questões como a transmissão da doença, sinais clínicos que incluem salivação abundante, estalo dos lábios, dificuldade de caminhar, febre alta e tremores, canais de notificação e chamou a atenção para o protagonismo que produtores têm a partir da retirada da obrigatoriedade da vacinação contra a enfermidade.
Palestra abordou os principais aspectos sobre a doença
A última campanha de vacinação em território paulista aconteceu em novembro de 2023 e desde então, a Defesa Agropecuária intensificou os trabalhos de vigilância ativa e passiva, de capacitação de equipes, além de trabalhar em campo, ao lado dos produtores, a educação sanitária. O último registro da doença no Estado de São Paulo foi no ano de 1996 enquanto no Brasil, o último caso detectado aconteceu em 2006.
“O atual status sanitário é uma conquista coletiva, que envolveu produtores, setor produtivo, setores público e privado, médicos-veterinários e demais setores da sociedade, ou seja, a manutenção do status depende da atuação de cada um destes atores”, acrescentou o veterinário.
Stand contou com atendimento ao público e demais orientações
A apresentação também destacou a estrutura do sistema de vigilância para a Febre Aftosa, o qual tem o objetivo de demonstrar a ausência da doença, prevenir a introdução, realizar a detecção precoce e ter uma resposta rápida aos possíveis focos.
O sistema é dividido em vigilância passiva, que é o atendimento a notificações de suspeitas de ocorrência da doença e em vigilância ativa, que envolve a realização de inquéritos de monitoramento sorológico, vigilância em propriedades rurais, fiscalização de trânsito de animais, inspeção em abatedouros e vigilância em eventos de concentração animal.
Somente em 2025, a Defesa Agropecuária realizou ações de vigilância em 4850 propriedades e realizou a inspeção de 573.000 bovídeos, 34.927 pequenos ruminantes e 211.000 suínos.
Confira fotos em: https://www.flickr.com/photos/200974595@N05/albums/72177720332246756
Histórico
Em 2024 São Paulo recebeu o reconhecimento nacional como área livre de doença sem vacinação pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e no mesmo ano, realizou estudo soroepidemiológico que demonstrou a ausência da circulação do vírus no rebanho paulista.
No ano de 2025, a Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) reconheceu o Brasil, incluindo o Estado de São Paulo, como zona livre de Febre Aftosa sem vacinação. O anuncio aconteceu durante a 92º Assembleia Geral dos Delegados Nacionais da OMSA, evento que reuniu representantes de organizações internacionais, nacionais, do setor privado e público, incluindo a Defesa Agropecúaria do Estado de São Paulo.
Hoje São Paulo conta com uma população de 10 milhões de bovídeos, 1,2 milhão de suínos, 220 mil ovinos e 20 mil caprinos e o reconhecimento certificou sanitariamente o produto paulista para atender tanto o mercado interno como os países mais exigentes no mercado externo, consolidando o Estado como um dos maiores exportadores de carnes de bovinos e derivados, agora, com possiblidade de ampliar para novos mercados e aumentar a confiança dos importadores.
Febre Aftosa
A Febre Aftosa é uma enfermidade causada por vírus (família Picornaviridae, gênero Aphthovirus).
É uma das doenças infecciosas mais contagiosas dos animais e acomete animais biungulados (de casco fendido) como: bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos e suínos.
Esta doença pode acometer rapidamente criações inteiras. O vírus se dissipa pelo contato entre animais doentes e susceptíveis, e pode contaminar o solo, água, vestimentas, veículos, aparelhos e instalações. O vento pode transportar o vírus.
A doença atravessa fronteiras internacionais por meio do transporte de animais infectados e da importação de produtos de origem animal (principalmente carne com osso).
Por Felipe Nunes












