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03/06/2022

Reunião entre setor público e setor produtivo debate alternativas para redução de pragas quarentenárias em lima ácida

Atualizado em 03/06/2022 às 17h20

Com o objetivo de buscar soluções conjuntas para otimizar o processo de fiscalização em citros, em especial da Lima Ácida no Estado de São Paulo, representantes da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) reuniram-se no último dia 26 com representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e também da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (ABRAFRUTAS).

Estiveram presentes representando o órgão federal, Carlos Goulart, Diretor do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas, Izabela Mendes Carvalho, Chefe da Divisão de Programas Especiais de Exportações, Carolina de Araújo Reis, Chefe do Serviço de Fiscalização de Insumos e Sanidade Vegetal e Lucas Zago, Auditor Fiscal Federal Agropecuário. Por sua vez, a ABRAFRUTAS esteve representada por seu Diretor-Executivo, José Eduardo Brandão.

Representando a Defesa Agropecuária estiveram presentes o Coordenador, Luís Fernando Bianco, acompanhado de Alexandre Paloschi, Diretor do Departamento de Defesa Sanitária e Inspeção Vegetal e de Marlon Peres da Silva, Diretor do Centro de Defesa Sanitária Vegetal e de Camila Baptista do Amaral, Assistente Técnica do Departamento de Defesa Sanitária e Inspeção Vegetal.

Na ocasião, representantes das três esferas analisaram números e demandas referentes a levantamento feito pela CDA entre setembro e dezembro de 2021 a respeito de fiscalizações em propriedades especificas de Lima Ácida. “Nesse levantamento constatamos que no Estado existem 54 Unidades de Consolidação aptas à exportação de Lima Ácida e que a maioria está na região de Catanduva”, explanou Camila Baptista.

Outros dados incluíam informações sobre distribuição de propriedades por intervalo de plantas, propriedades que certificam e não certificam, aplicação de cobre, entre outros.

“Estamos aqui para pensarmos juntos, alternativas que melhorem a fiscalização para que tenhamos mais qualidade nos frutos que exportamos para parte do mundo. Só em São Paulo essa frente representa cerca de 200 mil empregos e movimenta cerca de 70% dos quase 150 milhões de dólares que são movimentados em exportações”, comentou o presidente da ABRAFRUTAS.

Dentre as alternativas pensadas em conjunto entre setor público e privada estiveram o nivelamento dos responsáveis técnicos (RTs), processo de dupla fiscalização, parcerias público-privadas, rastreio de defensivos agrícolas e outros. “É o setor produtivo organizado querendo dar suporte com nossos fiscais envolvidos para que o trabalho dos órgãos responsáveis tenha reforço e para que tenhamos mais resultados positivos”, afirmou Eduardo Brandão.

“A cadeia de citros é uma das mais plurais que existem e só de associados temos mais do que a capacidade do MAPA em São Paulo, sendo essa a sua maior superintendência, mas nada impede que tenhamos um ponto focal tanto do setor, quanto do Estado e também da União para que possamos interagir juntos”, comentou Goulart.

Durante a reunião, representantes da CDA informaram também que o sistema informatizado de Gestão de Defesa Animal e Vegetal (GEDAVE) deve em breve, ter sua versão 2.0 disponibilizada, facilitando assim, o cadastro e acompanhamento de diversos processos que contribuem para a qualidade do fruto que é distribuído em todo o mundo.

Encontro com Secretário

Ainda no dia 26, no período da manhã, o secretário de Agricultura e Abastecimento, Francisco Matturro, recebeu no gabinete além de José Eduardo Brandão, o diretor da Be Fruit, Luiz Eduardo Rafaelli e Marcelo Hercolin. A visita teve como objetivo o diálogo a respeito do controle e fiscalização de pragas e doenças nas plantações de cítricos do Estado.

Na reunião, Matturro enfatizou a qualidade do trabalho da Coordenadoria Defesa Agropecuária (CDA), órgão da Secretaria que atua em ações de vigilância sanitária e fitossanitária, entre elas, a fiscalização dos cítricos em São Paulo.

Pronto atendimento

Na semana seguinte à reunião, equipes das regionais de Bauru, Catanduva e Jaboticabal da Defesa Agropecuária foram encaminhadas para a região de Itajobi, principal município produtor e exportador de Lima Ácida do Brasil, para a realização de auditorias no sistema de exportação. “Foram auditadas propriedades rurais, casas de embalagens consideradas de alto risco fitossanitário, bem como os responsáveis técnicos envolvidos”, informou Alexandre Paloschi.

Além da fiscalização de rotina foram analisados procedimentos padrões, avaliação das legislações vigentes e levantamento da necessidade de recursos humanos e de rotina para ações futuras. “Existe a necessidade de uma maior integração dos elos da cadeia de exportação de lima ácida, no sentido de fortalecer a base da cadeia, isto é, as propriedades rurais mostrando aos produtores a razão e os benefícios da certificação fitossanitária na origem”, acrescenta o engenheiro agrônomo.

Comércio Ilegal

Em paralelo, equipes da Defesa Agropecuária atuam em todo o Estado com o objetivo de impedir o comércio ilegal de mudas e frutos que possuam sintomas de pragas quarentenárias.

Na quarta-feira (1º), no município de Olímpia, equipes da Regional de Barretos apreenderam e impediram o comércio ilegal de cerca de 40 mudas de diversas variedades com sintomas de cancro cítrico que teriam sido produzidas no município de Dona Euzebia no Estado de Minas Gerais e estavam armazenadas no município de Herculândia.

“Se essas mudas fossem utilizadas na formação de um pomar este já estaria contaminado, além disso, o produtor seria lesado por comprar mudas ilegais e prontas para propagar pragas e doenças”, informou Valentim Scalon, engenheiro agrônomo e gerente do Programa Estadual de Sanidade na Produção de Materiais de Propagação.  

Lima Ácida

Popularmente conhecida por limão Tahiti, essa espécie de citros corresponde botanicamente a lima ácida Tahiti, cujo nome científico é Citrus latifólia Tanaka, sendo uma das dez variedades mais importantes da fruticultura brasileira. Os frutos de Tahiti têm distintas modalidades de comercialização uma vez que abastece o mercado interno de frutas frescas, provê um crescente índice de exportação e alimenta as indústrias de processamento de suco concentrado atendendo fábricas de refrigerantes e águas flavorizadas.

Segundo a Organização das Nações Unidas Para Alimentação (FAO), o Brasil ocupava em 2019, a quinta posição na produção mundial de limas ácidas e limões, produzindo aproximadamente 1,5 milhão de toneladas

Por Felipe Nunes

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