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16/08/2023

Capacitação - Programa Estadual de Sanidade das Abelhas realiza seu terceiro treinamento prático

Atualizado em 16/08/2023 às 10h36

Treinamento contou com atividades teóricas e práticas

A Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) a partir do seu Programa Estadual de Sanidade das Abelhas (PESAb), realizou entre os dias 7 e 11 na regional da Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio (APTA) em Pindamonhangaba, seu terceiro treinamento prático/teórico. A atividade contemplou 80 servidores das 40 regionais, que se dividiram em duas turmas, e contou com a participação de especialistas no tema, como a pesquisadora Érica Teixeira e o professor Ricardo Orsi, responsáveis por importantes estudos relacionados a doenças e pragas e à mortalidade das abelhas.

Depois de muito tempo, conseguimos realizar um novo treinamento prático para atender tanto os novos integrantes dos últimos concursos, quanto para atualizar os conhecimentos dos colegas que já trabalham na vigilância ativa nos apiários do Estado”, recepcionou Renata Taveira, médica-veterinária e gerente do PESAb.

Em sua palestra, Érica Teixeira, que atualmente é diretora técnica do Laboratório Regional de Pesquisa em Sanidade Apícola (LASA), abordou diversos aspectos relacionados à sanidade destes insetos, enfatizando doenças de notificação obrigatória constantes na Instrução Normativa 50, que incluem Cria Pútrida Americana e Europeia, Pequeno Besouro das Colmeias, Tropilaelaps, Varroatose e Nosemose.

Dra. Erica Teixeira abordou diversos aspectos da vida dos insetos

Para algumas doenças, o tratamento é apenas a vigilância e um bom manejo, dadas as características das abelhas africanizadas e a ausência de antibióticos registrados para uso nas colmeias do Brasil. Inclusive, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) deveria não só “não autorizar”, mas proibir o uso desse tipo de produto”, comentou a pesquisadora.

Além da pesquisadora, representou o LASA, Ítalo Salvatore, pós-doutorando que desenvolve trabalho relacionado à biologia do Pequeno Besouro das Colmeias no Brasil.

É uma praga das colmeias que provoca prejuízos econômicos significativos. Nos EUA e na Austrália, os prejuízos variam de 3 a 6 milhões de dólares”, disse o palestrante.

Ricardo Orsi, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) juntamente com sua pós-doutoranda Aline Astofi, que atuam no Departamento de Produção Animal e Medicina Veterinária Preventiva em Botucatu, também participaram das atividades teóricas apresentando parte dos estudos que estão em desenvolvimento para analisar a relação dos agrotóxicos com a mortalidade das abelhas.

No apiário, veterinários puderam aprender mais sobre doenças e processos de colheita


Agronômos realizaram atividade prática a partir da investigação do entorno

Dentre os principais sintomas de intoxicação que conseguimos observar a partir dos estudos estão alterações corporais, agitações, convulsões, tremores e paralisia. Seguimos tentando achar alternativas para encontrar as melhores soluções, uma vez que a sanidade das abelhas e o uso de agrotóxicos estão relacionados”, comentou Ricardo Orsi.

Além dos representantes da academia, a médica-veterinária Miriam Sayuri, representou o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e abordou diversos aspectos sob o olhar federal acerca da sanidade das abelhas, incluindo o Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (SUASA), o Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC), o Manual de Doenças das Abelhas lançado este ano, entre outros.

Representando a Defesa Agropecuária, palestraram Renata Taveira, que falou em nome da área animal da instituição e o engenheiro agrônomo Simael Rosim, que apresentou os trabalhos da área vegetal.

A veterinária abordou as diretrizes do PESAb e o protocolo de atendimento à notificação de doença, enquanto o agrônomo falou aos presentes sobre os procedimentos necessários para atendimento em caso de intoxicação.

Uma das análises positivas do treinamento é a interação entre as duas áreas da instituição, ou seja, veterinários e agrônomos trabalhando juntos para a sanidade das abelhas”, alegou Renata.

Além disso, a integração entre laboratório, defesa e a academia, é essencial para o desenvolvimento de um trabalho bem embasado”, acrescenta.

Na parte prática, os participantes foram ao apiário, onde treinaram a colheita de material (abelhas, favo, mel) que serão enviados ao laboratório nos casos de vigilância passiva ou ativa.

Foi positivo observar o interesse dos servidores e a expectativa é que sigamos trabalhando para mostrar resultados que vão ao encontro dos anseios do produtor”, comemorou a gerente do programa.

Primeira turma capacitada


Registro da segunda turma

Já na visão de Simael, os trabalhos do PESAb, envolvendo veterinários e agrônomos já estão padronizados, seja no atendimento à mortalidade por doenças e pragas, quanto por intoxicação. “Com isso conseguimos incluir os atendimentos no cotidiano das regionais sem trazer impacto e aumento de trabalho”, relaciona o agrônomo.

Em relação ao treinamento, auxiliar os colegas a entender o conceito de pasto apícola e com esse conhecimento, fazer com que eles otimizem seu trabalho é o que recompensa, pois muitos relataram que nem pensaram em olhar o que foi ensinado no treinamento. Como a fonte de água, as flores de plantas daninhas, ou olhar se há armadilhas em criação animal. Tudo isso faz uma grande diferença no dia a dia”, acrescenta.

Para saber mais sobre as ações do programa, acesse https://www.defesa.agricultura.sp.gov.br/www/programas/?/sanidade-animal/programa-estadual-de-sanidade-das-abelhas-pesab/&cod=68.

Por Felipe Nunes

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