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25/04/2025

Bananicultura - Defesa Agropecuária capacita agrônomos e técnicos agropecuários para atuarem no monitoramento da Fusariose da Bananeira Raça 4

Atualizado em 25/04/2025 às 14h15

Esta semana, entre os dias 23 e 24, a Coordenadoria de Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) através do Programa Estadual de Contigência Fitossanitária (PECONF), realizou, no polo da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) em Pariquera-Açu, treinamento destinado aos engenheiros(as) agrônomos(as) e técnicos(as) agropecuários(as) de 22 Regionais que fazem anualmente, em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o levantamento amostral para a Fusariose da Bananeira – Raça 4 Tropical (Foc R4T).

Atividade aconteceu no polo de Pariquera-Açu da Agência Paulista de Tecnologias dos Agronegócios (Apta)

“O objetivo da capacitação é nivelar os conhecimentos do corpo técnico da Defesa Agropecuária sobre a praga que, até o momento, é ausente no Estado de São Paulo e no Brasil. Foram abordados os sintomas da doença, as formas de disseminação e sobrevivência do patógeno, as medidas de erradicação e contenção e as medidas de biossegurança que são simples e podem impedir a entrada e a disseminação do patógeno”, comenta Marileia Regina Ferreira, agrônoma e gerente do PECONF.

A atividade contou com módulo teórico ministrado por Wilson da Silva Moraes, engenheiro agrônomo e fitopatologista do MAPA que abordou uma série de fatores que culminaram na disseminação mundial da praga que, segundo ele, pode afetar sensivelmente a produção de banana no país. “Já temos um histórico que nos mostra que a banana maça já está sumindo do mercado por conta da Fusariose raça 1, então, acreditamos que a raça 4, que já está na fronteira com países como a Venezuela, pode fazer com a nanica, o que a raça 1 fez com a maça”, adverte Wilson.

Wilson da Silva Moraes do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) foi o responsável pela parte teórica no primeiro dia da atividade

“A Defesa Agropecuária está comprometida em não permitir ou retardar ao máximo a chegada desta praga no Estado. Para isso, além de capacitações, procuraremos envolver todo o setor da bananicultura, como cooperativas, associações, responsáveis técnicos e o ator mais importante nesta cadeia, que é o produtor”, acrescenta Marileia.

“Entendemos que, sem o envolvimento e o comprometimento de todos, não teremos sucesso em impedir a entrada e a disseminação da praga no Estado”, acrescenta a agrônoma.

Além de Wilson, compuseram a parte teórica do treinamento a agrônoma Ana Paula Lima, que na ocasião apresentou seu trabalho de mestrado que mapeou, pela primeira vez, os riscos da introdução e da dispersão da praga no Estado de São Paulo (saiba mais aqui). Outra palestra, que abordou a Resolução SAA nº 24 de 2023 a qual estabelece a obrigatoriedade do cadastro de todas as unidades de produção de banana, foi proferida pelo agrônomo Marco Antonio Basseto.

Na parte prática, os participantes estiveram em campo em duas unidades de produção que se diferenciavam quanto ao fruto produzido e também, em aspectos fitossanitários. “Importante termos a oportunidade de vivenciar ações como os procedimentos de isolamento da área (caso haja suspeita de ocorrência) e coleta e envio de amostras para o diagnóstico fitossanitário para termos a dimensão do que pode acontecer, caso a praga chegue ao território paulista”, diz a gerente do PECONF.

Parte prática contou com colheita e amarzenamento de material para análise laboratorial

Confira mais fotos em https://www.flickr.com/photos/200974595@N05/albums/72177720325488737

 

Resolução 24/23

Desde o dia 5 de maio de 2023, a Resolução SAA nº 24 de 2023 estabeleceu no Estado de São Paulo a obrigatoriedade de cadastro de todas as unidades de produção de banana dentro do sistema informatizado de gestão animal e vegetal, o GEDAVE.

Além do cadastro, a resolução estabelece aos produtores, a adoção de medidas fitossanitárias como, por exemplo, desinfetar ferramentas, caixas plásticas e maquinários com produtos destinados a este fim e adquirir mudas para plantio e replantio com origem comprovada, preferencialmente produzidas in vitro.

De acordo com a resolução, o produtor deve também, manter registros mensais sobre as medidas fitossanitárias adotadas na propriedade, incluindo informações sobre a técnica de monitoramento utilizada para cada praga, bem como, os resultados obtidos nos monitoramentos e os tratos culturais adotados; o controle químico realizado, anotando os agrotóxicos utilizados, doses, datas da aplicação e períodos de carência; as ocorrências atípicas fitossanitárias e/ou climáticas relevantes; e as informações sobre a origem dos rizomas ou mudas, conforme o caso, utilizadas em replantio e/ou renovação do pomar.

Para orientar o produtor em relação ao cadastro, a Defesa Agropecuária disponibiliza um tutorial que pode ser acessado em https://www.defesa.agricultura.sp.gov.br/www/servicos/getpdf.php?idform=1385.

Foc R4T

O surgimento dos sintomas pode ser observado pelo amarelecimento das folhas, iniciando-se das bordas para o centro e atingindo primeiro as folhas mais velhas, progredindo para as mais novas. Com o avanço do fungo, as folhas apresentam-se murchas e quebram próximo do pseudocaule, conferindo às plantas a aparência de guarda-chuva fechado. As folhas centrais permanecem eretas.

Os sintomas internos só podem ser observados através de cortes transversais ou longitudinais no pseudocaule. São observadas descolorações pardo-avermelhadas nos vasos. A área típica afetada do pseudocaule consiste de um anel necrótico envolvendo o cilindro central. A possível ocorrência da TR4 pode ser indicada observando-se cultivares sentinelas, ou seja, cultivares que são resistentes às raças 1 e 2, como as do subgrupo Cavendish(Nanica, Nanicão, Grande Naine,etc.) subgrupo Terra (D’Angola, conhecida no Amazonas como Pacovan, Comprida, Farta Velhaco, Terra Anã, etc.) e Thap Maeo, Caipira, BRS Conquista, Pacovan Ken, BRS Japira, BRS Vitória, BRS Platina, BRS Caprichosa, BRS Pacoua e BRS Princesa.

Por Felipe Nunes

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