Facebook Twitter Youtube Flickr
07/10/2025

Febre Aftosa - Defesa Agropecuária participa de simulado nacional de atendimento a foco da doença em Minas Gerais

Atualizado em 07/10/2025 às 18h22

Promovido pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) entre os dias 27 de setembro e 3 de outubro, aconteceu em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, Exercício Simulado de Atendimento a Foco de Febre Aftosa. A atividade contou com a participação de servidores de 23 órgãos de defesa sanitária além do Serviço Veterinário Oficial (SVO) do Panamá e colocou em prática, todos os protocolos de controle e erradicação previstos no Plano de Contingência para Febre Aftosa, nos níveis técnicos e operacional.

Simulado contou com a participação de servidores de 23 órgãos de defesa agropecúaria do país

Na ocasião, representaram a Defesa Agropecuária, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), os médicos-veterinários Gabriel Brito e Rodrigo Marini, os quais atuaram entre grupos de vigilância e coordenação, respectivamente.

Simulação contou com ações de vigilância ativa em quatro focos fictícios 

A cidade de Montes Claros foi escolhida para o simulado por sua relevância no cenário pecuário mineiro. No exercício, todas as etapas seguiram a dinâmica de uma situação real: a partir da notificação de um caso suspeito, fiscais do IMA e das demais defesas do Brasil, foram à propriedades para coletar amostras de animais com sinais clínicos característicos, como febre, aftas na boca e nas patas, salivação excessiva, claudicação (manqueira) e queda na produção de carne e leite.

Durante os dez dias do exercício, duas notificações simuladas foram registradas, em Montes Claros e Capitão Enéas. A partir delas, foram instaladas barreiras sanitárias, identificados casos prováveis e confirmados quatro focos fictícios por critério clínico-epidemiológico. As ações também envolveram atividades de educação sanitária e comunicação social, fundamentais para engajar produtores e sociedade.

Gabriel (à dir.) compôs equipe de vigilância


Marini (à esq.) compôs grupo que coordenou as ações

Uma ação inédita no simulado foi o uso de um aplicativo desenvolvido especialmente para o atendimento de emergências sanitárias. Desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Lavras (Ufla), o app funciona como uma rede social de emergência sanitária. Uma coordenação publica as atividades e atualizações, permitindo que os usuários tenham acesso a mapeamento de zonas de foco, divisão de equipes, distribuição de tarefas, material de apoio e instruções gerais.

Para Marini, médico-veterinário lotado na sede da Defesa Agropecúaria, a participação no simuado foi de grande valia, pois foi possível conhecer servidores da defesa agropecuária de diversos Estados, trocar informações sobre as particularidades de cada um, suas dificuldades e as ferramentas utilizadas nas atividades de vigilância contra a enfermidade.

“Também ficou evidente a importância da realização de simulados como este, de forma a preparar os órgãos executores de sanidade agropecuária (OESA’s) em um cenário de emergência zoossanitária, não apenas envolvendo um eventual foco de Febre Aftosa, mas também de outras enfermidades”, comentou o participante.

Histórico

Ao longo de 56 anos, o Estado de São Paulo realizou campanhas de vacinação contra a Febre Aftosa da população de bovinos e bubalinos. Após décadas de trabalho que envolveu esforços de entidades do setor público e privado, representados por produtores rurais, associações de criadores, profissionais das ciências agrárias, indústria farmacêutica, revendedores, frigoríficos e de laticínios, juntamente com os servidores da Defesa Agropecuária, em 2024 São Paulo recebeu o reconhecimento nacional como área livre de doença sem vacinação pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e no mesmo ano, realizou estudo soroepidemiológico que demonstrou a ausência da circulação do vírus no rebanho paulista.

A Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) reconheceu, no dia 29 de maio, em cerimônia realizada em Paris, na França, o Brasil, incluindo o Estado de São Paulo, como zona livre de Febre Aftosa sem vacinação. O anúncio aconteceu durante a 92º Assembleia Geral dos Delegados Nacionais da OMSA, evento que reuniu representantes de organizações internacionais, nacionais, do setor privado e público.

Hoje São Paulo conta com uma população de 10 milhões de bovídeos, 1,2 milhão de suínos, 220 mil ovinos e 20 mil caprinos e o reconhecimento certifica sanitariamente o produto paulista para atender tanto o mercado interno como os países mais exigentes no mercado externo, consolidando o Estado como um dos maiores exportadores de carnes de bovinos e derivados, agora, com possiblidade de ampliar para novos mercados e aumentar a confiança dos importadores.

Febre Aftosa

A Febre Aftosa é uma enfermidade causada por vírus (família Picornaviridae, gênero Aphthovirus).

É uma das doenças infecciosas mais contagiosas dos animais e acomete animais biungulados (de casco fendido) como: bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos e suínos.

Esta doença pode acometer rapidamente criações inteiras. O vírus se dissipa pelo contato entre animais doentes e susceptíveis, e pode contaminar o solo, água, vestimentas, veículos, aparelhos e instalações. O vento pode transportar o vírus.

A doença atravessa fronteiras internacionais por meio do transporte de animais infectados e da importação de produtos de origem animal (principalmente carne com osso).

Por Felipe Nunes, com informações da Agência Minas

x