Fitossanidade - Projeto da Universidade Federal de Viçosa propõe imageamento remoto para identificação da Fusariose da Bananeira e pode auxiliar ações de vigilância
Dando sequência às atividades de contingência fitossanitária para prevenir a introdução da Fusariose da Bananeira – Raça 4 Tropical (Foc R4T) em território paulista, a Defesa Agropecuária, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) está envolvida com a Universidade Federal de Viçosa (UFV) através de projeto que visa o imageamento remoto de áreas de produção de banana para a captação de imagens de bananais afetados pela Fusariose Raça 1.
“O objetivo é treinar um sistema de detecção de plantas doentes utilizando drones, visando aprimorar a identificação precoce e o monitoramento diante da ameaça da Foc R4T, que ainda não está presente no Brasil”, explicou o professor epidemiologista Emerson Del Ponte, responsável pelo projeto.
Projeto da UFV utiliza sensoriamento remoto por meio de drones equipados com sensores e câmeras multiespectrais
“Embora a Fusariose R4T ainda não tenha sido detectada no Brasil, sua presença em países vizinhos como Colômbia, Peru e Venezuela exige uma postura proativa da Defesa Agropecuária no sentido de proteger a bananicultura paulista, que é referência nacional. Essa doença, considerada uma das mais devastadoras para o cultivo de bananas, é causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. cubense que pode permanecer no solo por até 30 anos e comprometer toda a produção das áreas afetadas”, comenta Mariléia Ferreira, engenheira agrônoma e gerente do Programa Estadual de Pragas Quarentenárias.
Em razão desse cenário, será realizado um levantamento amostral inédito utilizando sensoriamento remoto por meio de drones equipados com sensores e câmeras multiespectrais. Em São Paulo, as captações aconteceram entre os dias 9 e 13 de setembro em bananais nos municípios de Novo Horizonte e Jacupiranga, no Vale do Ribeira, maior polo produtor do Estado.
“O uso desta tecnologia permite a captação de imagens em alta resolução, proporcionando maior precisão na identificação de sintomas da doença ainda em estágios iniciais. Além disso, os drones possibilitam uma cobertura eficiente e rápida de grandes extensões de área de produção, otimizando o tempo e os recursos das equipes envolvidas”, ressaltou Del Ponte.
Equipes da Defesa e da UFV estiveram em áreas de banana em Novo Horizonte

E também em Jacupiranga, no Vale do Ribeiro, maior polo produtor do Estado
“Esta ação reforça o compromisso do Estado de São Paulo com a inovação em defesa fitossanitária e a adoção de medidas preventivas para impedir a entrada e a disseminação da Fusariose R4T em nossas lavouras. A colaboração com a UFV potencializa ainda mais a qualidade dos resultados, sendo um grande avanço para a proteção da bananicultura e a sustentabilidade agrícola paulista”, destaca Ana Paula de Souza Lima, agrônoma da Defesa Agropecuária e mestre em Defesa Sanitária e Vegetal pela UFV.
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Capacitação
Em abril deste ano, a Defesa Agropecuária, realizou, no polo da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) em Pariquera-Açu, treinamento destinado aos engenheiros(as) agrônomos(as) e técnicos(as) agropecuários(as) de 22 Regionais que fazem anualmente, em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o levantamento amostral para a Fusariose da Bananeira – Raça 4 Tropical (Foc R4T).
A atividade contou com módulo teórico ministrado por Wilson da Silva Moraes, engenheiro agrônomo e fitopatologista do MAPA que abordou uma série de fatores que culminaram na disseminação mundial da praga. Além de Wilson, compôs a parte teórica do treinamento a agrônoma Ana Paula de Souza Lima, que na ocasião apresentou seu trabalho de mestrado que mapeou, pela primeira vez, os riscos da introdução e da dispersão da praga no Estado de São Paulo (saiba mais aqui).
Na parte prática, os participantes estiveram em campo em duas unidades de produção que se diferenciavam quanto ao fruto produzido e também, em aspectos fitossanitários.
Resolução 24/23
Desde o dia 5 de maio de 2023, a Resolução SAA nº 24 de 2023 estabeleceu no Estado de São Paulo a obrigatoriedade de cadastro de todas as unidades de produção de banana dentro do sistema informatizado de gestão animal e vegetal, o GEDAVE.
Além do cadastro, a resolução estabelece aos produtores, a adoção de medidas fitossanitárias como, por exemplo, desinfetar ferramentas, caixas plásticas e maquinários com produtos destinados a este fim e adquirir mudas para plantio e replantio com origem comprovada, preferencialmente produzidas in vitro.
De acordo com a resolução, o produtor deve também, manter registros mensais sobre as medidas fitossanitárias adotadas na propriedade, incluindo informações sobre a técnica de monitoramento utilizada para cada praga, bem como, os resultados obtidos nos monitoramentos e os tratos culturais adotados; o controle químico realizado, anotando os agrotóxicos utilizados, doses, datas da aplicação e períodos de carência; as ocorrências atípicas fitossanitárias e/ou climáticas relevantes; e as informações sobre a origem dos rizomas ou mudas, conforme o caso, utilizadas em replantio e/ou renovação do pomar.
Foc R4T
O surgimento dos sintomas pode ser observado pelo amarelecimento das folhas, iniciando-se das bordas para o centro e atingindo primeiro as folhas mais velhas, progredindo para as mais novas. Com o avanço do fungo, as folhas apresentam-se murchas e quebram próximo do pseudocaule, conferindo às plantas a aparência de guarda-chuva fechado. As folhas centrais permanecem eretas.
Os sintomas internos só podem ser observados através de cortes transversais ou longitudinais no pseudocaule. São observadas descolorações pardo-avermelhadas nos vasos. A área típica afetada do pseudocaule consiste de um anel necrótico envolvendo o cilindro central. A possível ocorrência da R4T pode ser indicada observando-se cultivares sentinelas, ou seja, cultivares que são resistentes às raças 1 e 2, como as do subgrupo Cavendish(Nanica, Nanicão, Grande Naine,etc.) subgrupo Terra (D’Angola, conhecida no Amazonas como Pacovan, Comprida, Farta Velhaco, Terra Anã, etc.) e Thap Maeo, Caipira, BRS Conquista, Pacovan Ken, BRS Japira, BRS Vitória, BRS Platina, BRS Caprichosa, BRS Pacoua e BRS Princesa.
Por Felipe Nunes













