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13/06/2025

Sanidade Vegetal - Reunião dá início às tratativas para realização de simulado de emergência fitossanitária contra Fusariose da Bananeira

Atualizado em 13/06/2025 às 15h53

Aconteceu nesta quinta-feira (12), na sede da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) em Campinas, reunião que deu início às tratativas para a realização de atividade prevista para 2026 e que vai simular emergência fitossanitária relacionada à Raça 4 Tropical da Fusariose da Bananeira (Foc R4T).

Na ocasião, estiveram presentes o Professor Dr. Miguel Dita da Universidad Earth da Costa Rica, Dr. Luiz Teixeira, pesquisador científico da área de fertilidade do solo do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e Dr. Wilson Moraes responsável do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), pelos levantamentos amostrais em todo o território brasileiro.

Além de Dita, estiveram presentes representantes do IAC e do MAPA

Representaram a Defesa Agropecuária Alexandre Paloschi, diretor do Departamento de Defesa Sanitária e Inspeção Vegetal (DDSIV), Átila Milan, diretor substituto do Departamento de Trânsito e Análise de Riscos (DETRAR), Mariléia Ferreira, gerente do Programa Estadual de Contingência Fitossanitária (PECONF) e os engenheiros agrônomos Ana Paula Lima e Marco Basseto.

Com mais de 25 anos de experiência liderando projetos agrícolas em diversos ambientes tropicais, Miguel Dita vem atuando na prevenção e no combate à Foc R4T, liderando ações na Colômbia e no Peru, dentre outros países.

Dita pode ser um dos facilitadores das atividades que visam capacitar os servidores da Defesa Agropecuária para atuação em um possível foco da doença que pode afetar sensivelmente a produção de banana no país.

“Esse primeiro contato serviu para alinharmos as expectativas e sabermos até onde poderemos dar andamento nesta parceria que visa nivelar os conhecimentos do corpo técnico da Defesa Agropecuária sobre a praga que, até o momento, é ausente no Brasil e no Estado de São Paulo”, comentou a gerente do PECONF.

Encontro aconteceu na sede da Defesa Agropecuária em Campinas

Além disso, na reunião foi destacada a necessidade de intensificação das medidas de vigilância fitossanitária por parte do governo e do setor produtivo, visando à prevenção da introdução e disseminação da Foc R4T nos cultivos de banana. “As ações discutidas incluem programas de capacitação técnica, ampliação das atividades de amostragem e monitoramento, estabelecimento de uma rede integrada de laboratórios para diagnóstico molecular, além do fomento ao uso de material propagativo certificado e livre de patógenos, entre outras estratégias preventivas”, informou o diretor do DDSIV.

“As parcerias e o intercâmbio de informações com outros órgãos são fundamentais para o sucesso na prevenção e no combate a pragas e doenças em nosso Estado, mantendo a pujança do setor agrícola paulista e a alta eficiência da Defesa Agropecuária”, acrescenta Alexandre.

Atualmente, São Paulo é o Estado com o maior PIB agrícola do país, além de ser o maior produtor nacional de banana.

Resolução 24/23

Desde o dia 5 de maio de 2023, a Resolução SAA nº 24 de 2023 estabeleceu no Estado de São Paulo a obrigatoriedade de cadastro de todas as unidades de produção de banana dentro do sistema informatizado de gestão animal e vegetal, o GEDAVE.

Além do cadastro, a resolução estabelece aos produtores, a adoção de medidas fitossanitárias como, por exemplo, desinfetar ferramentas, caixas plásticas e maquinários com produtos destinados a este fim e adquirir mudas para plantio e replantio com origem comprovada, preferencialmente produzidas in vitro.

De acordo com a resolução, o produtor deve também, manter registros mensais sobre as medidas fitossanitárias adotadas na propriedade, incluindo informações sobre a técnica de monitoramento utilizada para cada praga, bem como, os resultados obtidos nos monitoramentos e os tratos culturais adotados; o controle químico realizado, anotando os agrotóxicos utilizados, doses, datas da aplicação e períodos de carência; as ocorrências atípicas fitossanitárias e/ou climáticas relevantes; e as informações sobre a origem dos rizomas ou mudas, conforme o caso, utilizadas em replantio e/ou renovação do pomar.

Para orientar o produtor em relação ao cadastro, a Defesa Agropecuária disponibiliza um tutorial que pode ser acessado em https://www.defesa.agricultura.sp.gov.br/www/servicos/getpdf.php?idform=1385.

Foc R4T

O surgimento dos sintomas pode ser observado pelo amarelecimento das folhas, iniciando-se das bordas para o centro e atingindo primeiro as folhas mais velhas, progredindo para as mais novas. Com o avanço do fungo, as folhas apresentam-se murchas e quebram próximo do pseudocaule, conferindo às plantas a aparência de guarda-chuva fechado. As folhas centrais permanecem eretas.

Os sintomas internos só podem ser observados através de cortes transversais ou longitudinais no pseudocaule. São observadas descolorações pardo-avermelhadas nos vasos. A área típica afetada do pseudocaule consiste de um anel necrótico envolvendo o cilindro central. A possível ocorrência da R4T pode ser indicada observando-se cultivares sentinelas, ou seja, cultivares que são resistentes às raças 1 e 2, como as do subgrupo Cavendish(Nanica, Nanicão, Grande Naine,etc.) subgrupo Terra (D’Angola, conhecida no Amazonas como Pacovan, Comprida, Farta Velhaco, Terra Anã, etc.) e Thap Maeo, Caipira, BRS Conquista, Pacovan Ken, BRS Japira, BRS Vitória, BRS Platina, BRS Caprichosa, BRS Pacoua e BRS Princesa.

Por Felipe Nunes

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