Facebook Twitter Youtube Flickr
09/04/2026

Sanidade Vegetal - Treinamento atualiza corpo técnico sobre medidas para prevenção e contenção do caruru gigante

Atualizado em 09/04/2026 às 12h00

Aconteceu entre os dias 7 e 8 de abril, na sede da Defesa Agropecuária, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), em Campinas, treinamento que teve como objetivo, alinhar e padronizar as ações para a prevenção e contenção da praga quarentenária Amaranthus palmeri (caruru gigante ou caruru palmeri) identificada no Estado de São Paulo no início do mês de fevereiro. Participaram da atividade engenheiros agrônomos e técnicos agropecuários dos 16 Departamentos Regionais, os quais puderam atualizar os procedimentos preconizados em legislações publicadas após a detecção do foco.

Atividade reuniu engenheiros agrônomos e técnicos agropecuários dos 16 Departamentos Regionais

Desde a detecção do foco em propriedade localizada em Mirassol, município do Departamento Regional de São José do Rio Preto, a Defesa Agropecuária publicou, através de Portarias, o plano operacional para prevenção, controle e erradicação da praga e medidas de controle do trânsito de máquinas e implementos agrícolas.

“O treinamento contempla essas publicações e atualiza o nosso corpo técnico a respeito dos procedimentos de coleta e envio de amostras de possíveis suspeitas, além de aumentar o escopo de informações sobre as medidas fitossanitárias que devem ser adotadas pelos produtores rurais”, comenta Mariléia Ferreira, engenheira agrônoma e responsável pelo Programa Estadual de Pragas Quarentenárias.

Módulo teórico foi oportunidade para discussões acerca das novas legislações para controle da praga quarentenária

Na programação, foram realizadas palestras que abordaram temas como os aspectos biológicos do Amaranthus palmeri, o cadastro obrigatório de áreas de soja e algodão, procedimentos de coleta e despacho de amostras, além de módulos práticos que simularam a inspeção de máquinas e a coleta de material.

A atividade também teve a participação de profissionais da iniciativa privada, entre eles Acássio Gonçalves Neto, pós-doutor em genética e melhoramento de plantas pela ESALQ/USP, representando a Agro do Mato, e André Campos Melo, da Nempa Tech.

Além destes, Luciano Lagatta, médico-veterinário e responsável pelo Programa Estadual de Emergências Zoossanitárias da Defesa Agropecuária apresentou os procedimentos operacionais padrão utilizados na área animal e que podem ser replicados em casos de focos de emergências fitossanitárias.

Módulo praticou abordou inspeção de máquinario e implementos agrícolas


E simulou, em caruru nativo, coleta e amarzenamento de amostras

“Foram dois dias em que buscamos compilar todas as informações necessárias para que nosso corpo técnico possa da melhor maneira, atuar diante de uma possível nova emergência fitossanitária com mais padronização, organização e efetividade”, destaca Jucileia Wagatsuma, gerente do Programa Estadual de Vigilância Fitossanitária.

Confira fotos do treinamento em https://www.flickr.com/photos/200974595@N05/albums/72177720332995056

Plano Operacional

O plano operacional detalha a forma de atuação da Defesa Agropecuária em todo o território paulista, organizando os procedimentos de identificação de suspeitas, confirmação laboratorial, delimitação de áreas afetadas, interdição quando necessária e execução de medidas obrigatórias de erradicação da praga. A coordenação das ações ficará a cargo do Departamento de Defesa Sanitária Vegetal, com execução descentralizada pelos Departamentos Regionais de Defesa Agropecuária no Estado.

Entre as medidas previstas estão a definição técnica de áreas de contenção no entorno de focos identificados, restrições ao trânsito de máquinas e materiais com potencial de disseminação, limpeza técnica de equipamentos agrícolas e acompanhamento periódico das áreas sob monitoramento. O plano também estabelece protocolos de fiscalização, rastreabilidade das ocorrências e registro georreferenciado das áreas afetadas, permitindo maior controle das ações em campo.

A normativa também reforça a obrigatoriedade de comunicação imediata à Defesa Agropecuária em caso de suspeita ou identificação da planta. A comunicação pode ser feita pelo produtor rural, ocupante da área ou profissional das Ciências Agrárias que identifique a ocorrência, permitindo que as equipes técnicas realizem vistoria e adotem as medidas cabíveis.

Trânsito de máquinas e implementos agrícolas

De acordo com a publicação, considera-se limpeza técnica o conjunto de procedimentos de limpeza e desinfecção, realizados para garantir a remoção interna e externa de todo o solo, restos vegetais e sementes aderidos a máquinas, implementos agrícolas e veículos de transportes.

A limpeza técnica passa a ser obrigatória a máquinas, implementos agrícolas e veículos de transportes que transitarem entre propriedades, municípios ou Unidades da Federação (UF’s) e deve ser realizada imediatamente após o uso em campo e antes de qualquer deslocamento.

Ainda segundo a Portaria, o proprietário, arrendatário ou responsável legal pela máquina, implemento agrícola ou veículo de transporte é o responsável pela garantia da limpeza técnica. Não sendo possível a identificação do responsável, o condutor do veículo transportador torna-se o cumpridor pelos procedimentos.

Ações de fiscalização, que terão atenção especial às áreas de cultivo de soja, milho e algodão, realizadas por servidores da Defesa Agropecuária, caso constatem irregularidades, poderão ser efetivadas através de autuação, determinação de rechaço da entrada no Estado, apreensão e/ou determinação de retorno de máquina, implementos agrícolas ou veículo de transporte à origem.

As medidas para o transporte de grãos e produtos agrícolas a granel provenientes de área com ocorrência de Amaranthus palmeri incluem a limpeza externa e a cobertura adequada da carga.

Praga quarentenária

O caruru-gigante é uma espécie invasora com elevado potencial de competição com culturas agrícolas, podendo causar perdas expressivas de produtividade quando não controlada de forma adequada. Por isso, o plano estadual estabelece medidas de prevenção e mitigação relacionadas às principais vias de disseminação, como contaminação de sementes, trânsito de máquinas e implementos agrícolas e movimentação de solo ou cargas.

Por Felipe Nunes

x