Saúde Pública - Novo relatório do Programa Estadual de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Produtos de Origem Vegetal aponta 75% de conformidade
345 coletas realizadas entre 2024 e 2025 deram sustentação ao documento
A Defesa Agropecuária, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), por meio da sua Divisão de Fiscalização de Insumos e Conservação de Solos (DFICS), apresentou nesta segunda-feira, 16 de março, em cerimonia realizada no Instituto Biológico (IB) em São Paulo, o segundo relatório do Programa Estadual de Análise de Resíduos de Agrotóxicos e Afins de Uso Agrícola em Produtos de Origem Vegetal, o PEARA-POV. O documento, baseado nos resultados laboratoriais obtidos através das 345 coletas realizadas por servidores da Defesa Agropecuária entre agosto de 2024 e julho de 2025, aponta 75,4% de conformidade quanto ao uso correto dos agrotóxicos nas lavouras paulistas.
Apresentação do relatório aconteceu nesta segunda-feira, dia 16 de março, no Instituto Biológico
Compuseram o mosaico amostral do relatório, coletas realizadas nas culturas do pimentão, goiaba, pepino, batata, batata-doce, alface, morango, uva, laranja, chuchu, couve, arroz, abobrinha, tomate, café, cenoura, banana, amendoim, cebola, feijão, limão, mamão, mandioca, manga e repolho.
Em comparação com o primeiro relatório, houve uma leve redução na porcentagem de conformidade, de 79 para 75,4%, porém, aumentaram o número de ingredientes pesquisados de 251 para 286 e também o número de municípios, sendo 98 para o primeiro relatório e 134 para os resultados do segundo.
“Neste segundo ciclo de coletas, ampliamos o número de coletas, considerando um período de 12 meses, aumentando também a distribuição territorial, tendo assim, maior representatividade. Para o próximo ciclo de coletas, prevemos alcançarmos a totalidade de regiões do Estado, além da inclusão de novas culturas, como o brócolis e o caqui”, comenta a engenheira agrônoma e responsável pelo PEARA, Camila Ribeiro Grzybowski.
De acordo com o Relatório, podem estar associados às inconformidades, fatores como déficit de suporte fitossanitário em algumas culturas, levando ao uso de produtos não registrados, aquisição de agrotóxicos sem receita agronômica ou com receita displicente, rotação inadequada de produtos com o mesmo modo de ação, fatores climáticos específicos, entre outros.
“Os resultados do segundo relatório do PEARA-POV vêm consolidar a importância das ações do programa, quanto a fiscalização do uso de agrotóxicos, principalmente dos efeitos de caráter educativo, estabelecido legalmente desde a concepção do programa”, destaca Camila.
Ana Eugênia, diretora geral do IB, Alberto Amorim, secretário executivo de agricultura e abastecimento e Luiz Barrochelo, diretor da Defesa Agropecuária, estiveram presentes na cerimônia
Estiveram presentes na cerimônia de lançamento do relatório diversas autoridades, incluindo o secretário executivo de agricultura e abastecimento, Alberto Amorim que parabenizou a iniciativa e destacou a importância das ações do PEARA-POV no que tange à segurança na produção dos alimentos oriundos de São Paulo.
“Venho aqui em nome do secretário de agricultura parabenizar essa iniciativa não apenas como gestor, mas, sobretudo como cidadão que também é contemplado com a produção cada vez mais saudável dos alimentos produzidos no Estado de São Paulo”, disse o secretário.
“É uma alegria estarmos aqui hoje para contemplarmos os resultados de uma parceria tão importante quanto é a da Defesa Agropecuária com o Institituto Biológico, o qual é responsável pelas análises das amostras que compõem este trabalho”, ressaltou Ana Eugênia, diretora geral do Instituto Biológico (IB).
“Hoje é um dia de celebrarmos um programa que temos muito orgulho, uma joia da casa que nos permite visualizar como anda o panorama da produção alimentar do Estado e intervir com orientação e educação”, acrescentou Luiz Henrique Barrochelo, diretor da Defesa Agropecuária.
Resultados
De acordo com o relatório que pode ser acessado na íntegra aqui, apresentaram 100% de conformidade às culturas do amendoim, cebola, feijão, limão, mamão, mandioca, manga e repolho enquanto foram consideradas críticas às culturas do pimentão, goiaba, pepino, batata, alface e morango que obtiveram respectivamente, 31, 40, 47, 50, 53 e 57% de conformidade quanto ao uso de agrotóxicos.
O relatório aponta como possíveis causas para a baixa conformidade aspectos como o uso recorrente de ingredientes não permitidos, superdosagem, manejo inadequado e/ou falhas técnicas em cultivos protegidos como estufas e sistemas hidropônicos.
Em relação às inconformidades, das 345 coletas, 85 apresentaram uso não permitido para a cultura (NPC) e/ou uso acima do limite máximo de resíduos (LMR).
Camila detalhou os resultados e apresentou as ações de desdobramentos baseadas nos resultados
“Consideramos satisfatório o resultado geral obtido, apesar de ainda detectarmos situações delicadas e preocupantes e entendemos que o principal ponto deficitário detectado está em torno do acesso a informação e à assistência técnica qualificada”, ressalta a responsável pelo PEARA.
Das 345 coletas, 31 tiveram ações de retorno, sendo que destas, 24 apresentaram conformidade (77,4%) e sete apresentaram não conformidade (22,6%), o que evidencia o caráter da fiscalização educativa e orientativa do Programa.
Sendo assim, o relatório conclui a consolidação do PEARA-POV com 100% de rastreabilidade, alta capilaridade territorial e resultado geral satisfatório, além de indicar a necessidade de intensificar a orientação técnica, a integração entre a pesquisa e a extensão, ações direcionadas por cadeias e atenção especial aos cultivos protegidos.
Acesse o relatório na íntegra em https://www.defesa.agricultura.sp.gov.br/arquivos/sanidade-vegetal/relatorio_peara_2026.pdf
Projeto Produzido Alimento Seguro
Com base nos resultados obtidos no relatório do PEARA-POV, a cerimônia de lançamento do documento foi a oportunidade para a apresentação do projeto “Produzindo Alimento Seguro” que visa ampliar o alcance das ações do programa promovendo a produção de alimentos cada vez mais seguros no Estado de São Paulo.
“A realização deste projeto, coordenado pela Defesa, fecha o ciclo da cadeia produtiva de alimentos e consolida as ações do PEARA-POV, contribuindo efetivamente para a produção do alimento seguro e consequentemente, para o uso consciente dos agrotóxicos”, enfatiza Camila.
O projeto, que deve ter início em um Dia de Campo do Morango na região de Atibaia e Jarinu, tem como objetivos proporcionar ao agricultor informações básicas sobre o uso correto dos agrotóxicos quanto à aquisição, armazenamento, uso e destinação de embalagens.
Em continuidade, serão realizados eventos itinerantes em regiões polo da produção agrícola do Estado, iniciando em Itapetininga, focando em orientar os profissionais envolvidos na assistência técnica, promover a conscientização dos agricultores através de ações de educação, envolvendo também as crianças e/ou jovens, além de auxiliar o produtor no cumprimento das legislações vigentes.
Confira fotos em https://www.flickr.com/photos/200974595@N05/albums/72177720332579576
Por Felipe Nunes
















